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Espanha: Governador de Valência renuncia após enchentes – 03/11/2025 – Mundo

O presidente da região de Valência (equivalente a governador), Carlos Mazón, anunciou nesta segunda-feira (3) sua renúncia ao cargo, um ano após as inundações que deixaram 229 mortos e causaram bilhões de euros em prejuízos no leste da Espanha. A decisão ocorre após meses de pressão, especialmente de familiares das vítimas, que o acusam de ter falhado na gestão da catástrofe de outubro de 2024.

“Não consigo mais. […] Sei que cometi erros, admito, e terei de conviver com eles pelo resto da vida”, afirmou Mazón, do conservador Partido Popular (PP), em pronunciamento à imprensa.

Embora tenha admitido falhas, Mazón atribuiu parte da responsabilidade à falta de apoio do governo central, liderado pelo socialista Pedro Sánchez, e a erros de organizações nacionais, incluindo a agência meteorológica Aemet e o departamento responsável pela rede hidrológica da região vinculado ao Ministério da Energia. Segundo ele, esses órgãos não alertaram da forma adequada sobre a gravidade da tempestade.

O desastre, ocorrido em 29 de outubro de 2024, foi o pior evento de enchentes na Europa desde 1967. Chuvas torrenciais inundaram bairros ao sul da cidade de Valência, pegando moradores de surpresa. Muitos morreram afogados dentro de prédios que já estavam submersos quando o governo regional enviou os primeiros alertas. Especialistas apontam que uma série de falhas, como a falta de obras de contenção, de medidas educativas e de comunicação rápida, agravaram o impacto da tragédia.

Durante o último funeral de Estado realizado em homenagem às vítimas, Mazón foi vaiado e chamado de assassino por familiares, que o acusam de ter se ausentado durante as horas críticas do desastre. No momento em que as enchentes começaram, ele almoçava com a jornalista Maribel Vilaplana e ficou sem se manifestar à população por cerca de seis horas.

O episódio alimentou rumores de que Mazón teria envolvimento pessoal com a repórter, o que ele negou. O político afirmou que o encontro teve caráter profissional, pois pretendia convidá-la para assumir um cargo na televisão pública valenciana, embora tenha omitido inicialmente o almoço em suas explicações.

A jornalista prestaria depoimento nesta segunda à juíza que investiga a tragédia e a possível responsabilidade criminal das autoridades. Familiares das vítimas acompanharam sua chegada ao tribunal, e uma das pessoas no local gritou: “Conte toda a verdade, por eles”.

Mazón afirmou que só não havia renunciado antes por se sentir obrigado a liderar o processo de reconstrução. Ele, no entanto, não esclareceu se convocará eleições antecipadas nem quem assumirá o governo.

Em nota, o Partido Popular informou que seu líder nacional, Alberto Núñez Feijóo, concederia uma entrevista coletiva ainda nesta segunda para comentar o caso.

A presidente da principal associação de vítimas, Rosa Álvarez, classificou o discurso de renúncia de “doloroso e inútil”. “Ele continua repetindo mentiras e tentando se colocar no papel de vítima”, afirmou à rádio SER.

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