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Maduro se prepara contra os EUA; venezuelanos querem comer – 03/11/2025 – Mundo

O país está cercado pela maior presença militar dos EUA na costa da América do Sul em décadas. Por dois meses, forças americanas têm explodido barcos em sua costa, matando dezenas; o presidente Donald Trump alertou que “por terra será a próxima”e depois negou que ataques terrestres estivessem por vir.

O governo do ditador venezuelano Nicolás Maduro, enquanto isso, moveu tropas para as fronteiras, implantou baterias antiaéreas e instou civis a se prepararem para o pior.

Venezuelanos comuns, no entanto, dizem que têm preocupações mais urgentes.

“Sim, eu me preocupo” com um ataque americano, disse um jovem cozinheiro de Sucre, o estado de onde partiram vários dos barcos alvejados pela administração. “Mas não podemos pensar em mais nada sem comprar comida primeiro.” Ele falou sob condição de anonimato por medo de retaliação.

Se Trump ordenasse que forças atacassem o território venezuelano —questionado na sexta-feira se estava considerando isso, ele disse que não— muitos aqui dizem que há pouco que poderiam fazer. Eles estão se concentrando, em vez disso, na inflação de três dígitos, na privação generalizada e, sempre, na perseguição governamental.

O estado socialista autoritário prendeu pelo menos oito economistas e consultores este ano depois que publicaram informações sobre a inflação. Entre eles estava Rodrigo Cabezas, um ministro das Finanças sob Hugo Chávez, antecessor socialista e mentor de Maduro.

O Fundo Monetário Internacional estima que a Venezuela terminará 2025 com inflação de 269,9%. Até 2026, o fundo diz que será superior a 680%.

O governo negou que a Venezuela corra risco de hiperinflação. Autoridades acusaram Washington de travar uma guerra econômica contra o país —que, de fato, foi castigado por anos de sanções dos EUA, além de má gestão governamental, clientelismo e corrupção.

Em uma capital decorada com luzes de Natal obrigatórias pelo governo, não houve corrida evidente para reforçar abrigos ou comprar suprimentos.

“Neste momento, ninguém tem o suficiente para realmente estocar nada”, disse David Smilde, sociólogo da Universidade Tulane que acompanha a Venezuela. “As pessoas estão sofrendo economicamente.”

Uma década de extrema dificuldade econômica e mais de duas de perseguição política expulsaram mais de 7 milhões de pessoas do país. Os venezuelanos são agora a maior população de refugiados do mundo.

As condições começaram a melhorar em 2021, lentamente, à medida que o governo aliviou os controles de preços e câmbio e permitiu mais transações em dólar. As prateleiras dos supermercados começaram a se reabastecer; novas concessionárias de automóveis abriram.

Mas o alívio provou ser de curta duração. Embora o governo tenha parado de divulgar dados, economistas locais dizem que o PIB está encolhendo, o desemprego e subemprego são generalizados, e a hiperinflação devastou o poder de compra.

Sete em cada 10 famílias venezuelanas viviam na pobreza em 2024, segundo pesquisadores da Universidade Católica da Venezuela. As ruas de Caracas se encheram de famílias e crianças pedindo esmolas.

A incerteza sobre um ataque dos EUA está causando mais danos.

“As expectativas das pessoas fizeram com que a demanda por dólares no mercado de câmbio aumentasse”, disse um economista venezuelano, que falou sob condição de anonimato por medo de ser preso. “As rendas familiares estão sofrendo um golpe devastador. As pessoas podem comprar cada vez menos.”

“A recessão está tirando as pessoas do mercado de trabalho, pessoas que não estão recebendo salários”, disse o economista. “A pobreza está aumentando.”

Maduro ordenou na semana passada a criação de um aplicativo para os venezuelanos relatarem “tudo o que veem e ouvem”. Em seguida, pediu ao Supremo Tribunal, que ele controla, que encontrasse uma maneira de retirar a cidadania de qualquer pessoa que peça uma intervenção militar.

Maduro quer aplicar tal medida ao líder da oposição Leopoldo López, ex-prisioneiro político que agora vive exilado na Espanha, explicou a vice-presidente Delcy Rodríguez.

“Maduro quer tirar minha cidadania por dizer o que todos os venezuelanos pensam e querem: liberdade”, disse López a repórteres em Madri.

Quando os militares dos EUA começaram a concentrar forças ao largo da Venezuela em agosto, Maduro enviou tropas para a fronteira com a Colômbia e instou os cidadãos a se juntarem às “milícias de autodefesa”.

Maduro reivindicou vitória em 2018 e novamente no ano passado em eleições amplamente vistas como fraudulentas. Os Estados Unidos o consideram ilegítimo; as nações romperam relações diplomáticas em 2019. No ano seguinte, um grande júri federal indiciou Maduro e membros de seu círculo íntimo por acusações de narcoterrorismo. A administração este ano aumentou a recompensa por sua captura para US$ 50 milhões (cerca de R$ 270 milhões).

Ainda assim, com forças militares leais, as gangues de motociclistas armados conhecidas como colectivos e prisões em massa de opositores, Maduro sobreviveu a pelo menos um levante da oposição e uma tentativa de sequestro abortada —junto com a devastação da covid, o colapso da economia e a crise de refugiados.

Agora, porém, seu tom se tornou mais urgente. Na semana passada, em um raro apelo em inglês, ele implorou “por favor, por favor, por favor… nenhuma guerra louca… peace forever!”

Uma mulher, professora de Caracas, disse que estava apenas tentando sobreviver.

“Não sei o que vai acontecer”, disse ela, falando sob condição de anonimato por medo de retaliação. “A economia está tão ruim, a situação é tão difícil, que se algo vai acontecer, espero que aconteça rápido.”

“Não podemos mais viver assim”, disse ela.

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