O Chile foi mergulhado em uma ditadura direitista sangrenta em 1973, após Augusto Pinochet liderar o Golpe Militar de 11 de setembro que assassinou o presidente socialista Salvador Allende
A transição para a democracia iniciou-se após a derrota de Pinochet no Plebiscito de 1988. Patricio Aylwin (Democracia Cristã) assumiu a presidência em 1990, iniciando a “Transição à Democracia” com a Concertación
A Concertación, uma coalizão de centro-esquerda, governou por 20 anos (1990-2010), incluindo os mandatos de Eduardo Frei Ruiz-Tagle, Ricardo Lagos e Michelle Bachelet. Lagos eliminou os chamados “enclaves autoritários” da Constituição
A direita chilena, após a redemocratização, concentrou-se em projetar uma imagem democrática e institucional. O primeiro líder direitista a ser eleito no Chile após a ditadura foi Sebastián Piñera, em 2010
Empresário, Piñera se apresentou como o líder político de uma direita moderada, democrática e institucional. Em 1988, ele rejeitou a continuidade do governo Pinochet e condenou a ditadura
Após Piñera, Bachelet retornou para um segundo mandato e o Chile passou a alternar o poder, rejeitando a continuidade dos governos. O líder da direita moderada voltou à cadeira de presidente em 2018
O segundo governo de Piñera (2018-2022) foi abalado pelo “estallido social” de 2019. O medo da insegurança pública, da criminalidade organizada e da migração descontrolada criou o contexto perfeito para que a ultradireita emergisse
José Antonio Kast, que nunca se distanciou do legado de Pinochet, emergiu como o principal representante da ultradireita. Ele havia tentado a presidência nas eleições de 2017, mas não foi ao segundo turno
Na corrida presidencial de 2021, Kast tentou se eleger pela segunda vez, mas foi derrotado no segundo turno pelo candidato da esquerda, Gabriel Boric, que se tornou o presidente mais jovem do país
Boric, eleito com demandas progressistas, enfrentou desgaste político e social. A candidata da esquerda para seguir seu legado, Jeannette Jara, sofreu por representar a continuidade de uma gestão vista como “muito ruim”
José Antonio Kast se aproveitou da crise política da esquerda chilena e, durante as eleições de 2025, moderou seu discurso, focando em um “governo de emergência” com ênfase no combate à criminalidade e à migração irregular
Ele reuniu apoio da direita tradicional, do centro e de votos “emprestados” de outras candidaturas e venceu Jara no segundo turno com 58,16% dos votos válidos, marcando o maior giro à direita desde 1990
Advogado e político profissional, Kast é o líder do ultradireitista Partido Republicano. Ele já defendeu a revogação da lei do aborto, se mostrou contrário a direitos LGBTIQ+ e propôs o indulto a militares condenados por violações de direitos humanos
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