O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nesta sexta-feira (5), após se lançar candidato à Presidência da República indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que já conversou com dirigentes do União Brasil, PP e PSD em busca de apoio.
O senador afirmou que, apesar de não ser visto com viabilidade eleitoral no momento, ainda vai subir nas pesquisas e que as pessoas vão começar a ver um “Bolsonaro com pensamento pacificador” —um contraponto ao ex-presidente, cuja gestão foi marcada pelos ataques à democracia e aos demais Poderes.
“Essa exposição que começa agora eu tenho certeza de que vai servir para que as pessoas conheçam um Bolsonaro com um pensamento muito moderno, um pensamento pacificador, de resgatar o Brasil de verdade”, disse à Folha.
Segundo o senador, apesar de decisões em corridas presidenciais serem tomadas “em cima da hora”, Bolsonaro entendeu “que agora era o melhor momento”.
“Acho que já havia uma grande instabilidade política, uma ansiedade muito grande de o [ex-]presidente Bolsonaro dar um norte. Eu estou só dando os passos que foram conversados com ele, conversados com os partidos”, disse.
Flávio relatou como foi a conversa com seu pai, na terça-feira (2), na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde o ex-presidente cumpre 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
“Ele falou: ‘Vai você candidato, pode anunciar agora, está definido’. Já tinha conversado com bastante gente, então fico feliz com a confiança dele e fé em Deus que a gente vai conseguir montar um time excepcional como ele fez em 2018”, disse à Folha.
O senador minimizou a resistência de líderes e dirigentes do centrão a seu nome, já que o grupo prefere lançar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Flávio disse ter o aval de Tarcísio e dos seus irmãos na corrida ao Planalto.
O senador mencionou ter procurado o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, do PP, Ciro Nogueira, do PSD, Gilberto Kassab, e disse que ainda falaria com Marcos Pereira, do Republicanos.
“Foram conversas curtas, onde eu disse que tinha acabado de conversar com o governador Tarcísio, um amigo, uma pessoa de confiança, que vai estar junto com a gente. Quero conversar mais profundamente com cada um deles sobre o planejamento”, disse ao desembarcar em Brasília vindo de São Paulo.
“Falo bem com todos eles [partidos do centrão], todo mundo sabe da dificuldade que vai ser a eleição de 2026”, declarou o senador, acrescentando que esse processo terá “muita conversa”.
Flávio disse que vai trabalhar “com transparência, com previsibilidade”, mostrando quem serão as pessoas que estarão lado dele e convencendo a população de que o melhor projeto “é o da centro-direita”.
Em relação à conversa com Tarcísio, Flávio disse que foi “sincera, olho no olho, de peito aberto, como sempre foi na nossa relação” e que sua reação foi “de declarar total apoio, parceria, unidade 100%”.
O senador afirmou ainda que a decisão foi conversada, consciente e não foi tomada agora. Ele diz que seu pai está em uma situação “humilhante, injusta e covarde” e que lhe empresta credibilidade.
De acordo com Flávio, seu objetivo é trazer credibilidade e confiança. “Vamos conversar com bastante gente, com muita transparência, calma, serenidade, centrado como eu sou. […] O [ex-]presidente Bolsonaro jamais escolheria a mim para esse tipo de missão se não tivesse confiança, se não estivesse preparado”, completou.
A respeito da reação negativa do mercado ao anúncio, Flávio atribuiu ao governo Lula (PT), argumentando que ele é visto como um candidato com menos chances de impedir a reeleição do petista.
“O mercado entende que o Brasil não aguenta mais quatro anos do governo Lula. A preocupação, porque eles fazem uma análise apenas olhando o retrato do momento, é acreditando que meu nome é o que tem menos chances de derrotar o projeto falido do Lula”, respondeu.
Flávio afirmou que vai sinalizar ao mercado que fará o contrário do governo atual, reequilibrando as contas e evitando aumento de impostos.
“Está todo mundo tão desanimado, todo mundo tão desesperançoso com o que está vendo no país, com tanta perseguição, com tanta covardia, um crime organizado dominando as ruas, dominando o poder. […] A prova disso é o que aconteceu hoje com o mercado, que, preocupado com a possibilidade de mais quatro anos de governo Lula, acaba precificando uma tragédia”, disse.
O senador disse que também conversou e recebeu o apoio da madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), e dos irmãos Eduardo (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (PL-RJ).
“O Eduardo é uma pessoa que está 100% junto comigo nesse projeto. É uma grande liderança que está lá fora. Está lutando pela liberdade do Brasil, pela redemocratização do nosso país, e certamente ficou muito feliz com esse passo que foi dado, que obviamente foi conversado com ele e com toda a família”, afirmou.



