Após quase três décadas, a União Europeia e o Mercosul chegaram a um acordo em dezembro de 2024, em Montevidéu, com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. A proposta deverá ser apresentada aos Estados-membros ainda em 2025, mas sua entrada em vigor pode levar vários anos.
O Acordo de Associação UE-Mercosul abrangerá cerca de 800 milhões de pessoas. O Mercosul inclui Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com Chile, Equador, Guiana, Colômbia, Peru e Suriname como membros associados. Seu impacto econômico e geopolítico será expressivo, reforçando a relação histórica entre Europa e América do Sul e reafirmando a fé na cooperação internacional, especialmente num contexto onde a OMC (Organização Mundial do Comércio) mostra limitações e políticas externas, como as de Donald Trump, desafiam parcerias tradicionais.
A assinatura do acordo não exige aprovação de todos os parlamentos europeus, bastando maioria qualificada. Um acordo comercial provisório permitirá a implementação rápida da cooperação, aplicando partes do acordo antes da ratificação final.
A liberalização atingirá mais de 90% do comércio entre os blocos, facilitando o acesso de produtos e serviços europeus aos grandes mercados da América do Sul. Tarifas ainda altas em setores como automóveis e máquinas, além de outras barreiras comerciais, persistem, mas setores industriais europeus, especialmente alemães, veem oportunidades relevantes. O acordo também amplia a participação da indústria europeia em processos de contratação pública, como já ocorre com a indústria finlandesa de celulose no Uruguai e no Brasil.
Além do comércio, a cooperação do Mercosul em matérias-primas ajudará a Europa a reduzir dependências energéticas e a frear a perda de influência na América Latina, contrabalançando a crescente presença chinesa. Para o Mercosul, o acesso privilegiado ao mercado europeu fortalece o bloco e aumenta a reputação da agricultura brasileira, permitindo a entrada em um dos mercados alimentares mais exigentes do mundo e oferecendo potencial alívio político nas disputas sobre desflorestação da Amazônia e segurança alimentar.
O acordo enfrenta oposição de países agrícolas do centro e sul da Europa, sindicatos e ambientalistas, que alertam para concorrência desleal, riscos alimentares e impactos na Amazônia. Para mitigar críticas, a Comissão Europeia propôs um fundo de € 1 bilhão para agricultores, redução gradual de tarifas, proteção de mais de 350 marcas e protocolos adicionais de desenvolvimento sustentável.
Para a Europa, a parceria com o Mercosul impulsiona o crescimento econômico e fortalece o uso sustentável dos recursos naturais da América Latina. Para a América do Sul, o acordo reforça a união do Mercosul e aumenta sua relevância internacional. Se a Europa não aproveitar a oportunidade, o acordo pode se tornar instável, transformando-se numa “mesa bamba”.
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