O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (3) sanções contra membros de uma suposta rede de lavagem de dinheiro ligada à facção venezuelana Tren de Aragua.
“Sob o presidente Donald Trump, cartéis terroristas bárbaros já não podem operar com impunidade através de nossas fronteiras. As operações de narcotráfico e tráfico de pessoas da rede Tren de Aragua representam há muito tempo uma grave ameaça para nossa nação”, afirma o secretário do Tesouro, Scott Bessent, em documento.
Os Estados Unidos designaram o grupo neste ano como uma organização terrorista global, junto de cartéis mexicanos e gangues salvadorenhas.
“Continuaremos a usar todas as ferramentas para cortar esses terroristas do sistema financeiro dos EUA e do sistema financeiro global, e para manter os cidadãos americanos seguros,” acrescenta.
O Tren de Aragua, originalmente formado em prisões na Venezuela, transformou-se em uma das redes criminosas transnacionais mais violentas da América Latina. A facção tem parcerias com os grupos brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) e está envolvida em extorsão, tráfico de pessoas, armas e drogas, prostituição, mineração ilegal, roubo e sequestro.
As sanções incluem a artista venezuelana Jimena Romina Araya Navarro (conhecida como “Rosita”), acusada de integrar uma rede de cinco pessoas ligadas ao setor de entretenimento que prestaram apoio material à facção.
Segundo o documento, Rosita é DJ, atriz e modelo, com milhões de seguidores nas redes sociais, que se apresenta em diversas casas noturnas da Colômbia. Parte da receita gerada nesses eventos seria supostamente enviada à liderança do Tren de Aragua.
Além disso, ela teria mantido um relacionamento com Héctor Rusthenford Guerrero Flores (Niño Guerrero), e o teria ajudado a escapar da prisão de Tocorón, na Venezuela, em 2012. Niño Guerrero já havia sido sancionado em 17 de julho e é chamado de “líder máximo” da organização, no documento.
Além dela, outras cinco pessoas ligadas à gangue Tren de Aragua e uma entidade localizada na América do Sul também foram sancionados. Entre eles estão Eryk Manuel Landaeta Hernandez, ex-empresário de Rosita e apontado como chefe financeiro e logístico da rede em Bogotá, e Kenffersso Jhosue Sevilla Arteaga (“El Flipper”), identificado como braço direito de Niño Guerrero até ser preso na Colômbia em novembro.
Também foram bloqueadas empresas usadas, segundo o Tesouro, para lavar dinheiro e movimentar recursos da facção —entre elas a colombiana Eryk Producciones SAS, o clube Maiquetia VIP Bar Restaurant e a venezuelana Global Import Solutions S.A.
Ainda nesta quarta, o Departamento de Estado também anunciou um aumento da recompensa para até US$ 5 milhões por informações que levem à prisão e/ou condenação de Mosquera Serrano, sancionado em 24 de junho, dentro do Programa de Recompensas por Crime Organizado Transnacional.



