A ex-chefe de política externa da União Europeia Federica Mogherini e outras duas pessoas foram detidas e formalmente acusadas de fraude em contratos públicos, corrupção, conflito de interesses e violação de sigilo profissional, informou nesta quarta-feira (3) a Procuradoria Europeia (Eppo, na sigla em inglês).
Os três foram detidos na terça-feira (2) como parte de uma investigação de fraude na UE e depois libertos para aguardarem o processo, disse a Eppo. Para o órgão, não há risco de fuga dos investigados.
A Procuradoria Europeia identificou os outros dois suspeitos como um funcionário sênior do Colégio da Europa, em Bruges, e um alto funcionário da Comissão Europeia. Três pessoas com conhecimento do assunto disseram à Reuters que um dos detidos é o diplomata europeu de alto escalão Stefano Sannino.
Nem Mogherini nem Sannino foram encontrados para comentar.
“Todas as pessoas são consideradas inocentes até que sua culpa seja provada pelos tribunais competentes da Bélgica“, afirmou também a Eppo.
As prisões ocorreram após buscas no serviço diplomático da UE em Bruxelas, no Colégio da Europa —uma instituição de elite em Bruges que forma muitos dos futuros funcionários da União— e nas residências dos suspeitos.
Mogherini foi alta representante da UE para política externa e de segurança e chefiou o serviço diplomático europeu de 2014 a 2019. Em 2020, tornou-se reitora do Colégio da Europa.
Segundo a Eppo, a investigação envolve “suspeita de fraude relacionada a programas de treinamento financiados pela UE para jovens diplomatas”.
Mogherini e Sannino, ambos italianos, são figuras conhecidas nos círculos diplomáticos de Bruxelas, e a notícia de suas detenções causou forte impacto na comunidade europeia.



