É um volume tão monumental quanto o espaço que a Pinacoteca do Estado de São Paulo ocupa na cena artística do país. Em sua celebração de 120 anos, o museu paulistano lança agora pela editora Act Arte um livro de 400 páginas que revê as obras-primas e as peças de arte contemporânea mais emblemáticas de seu acervo.
Estão reunidos na obra clássicos como “Antropofagia”, de Tarsila do Amaral, e “Caipira Picando Fumo”, de Almeida Júnior, além de peças de grandes artistas contemporâneos, entre eles Antonio Obá, Jaime Lauriano e Jonathas de Andrade, num total de 207 nomes contemplados pela publicação.
O curioso é o impacto causado pela organização. A ideia de um grande catálogo com os artistas listados pelo nome em ordem alfabética parece pouco inspirada, mas acaba causando contrastes e reflexões potentes, encontros e confrontos entre épocas e estéticas.
Um exemplo é o encontro de Abdias Nascimento e Adriana Varejão, um intelectual negro que revisita e embaralha na tela símbolos de matriz africana e uma mulher branca que escancara numa escultura, o pilar azulejado com as cores da bandeira com uma rachadura que deixa ver vísceras e entranhas, a carnificina verde e amarela tão atrelada à época da escravidão.
Duas visões contrastantes do Brasil ainda se encontram numa paisagem de Alberto da Veiga Guignard e na fachada geométrica de um sobrado pintado por Alfredo Volpi. Amelia Toledo e seu “Glu-Glu”, escultura de vidro e sabão, faz par com as escadarias metálicas que Ana Maria Tavares montou no átrio do museu de Ramos de Azevedo redesenhado por Paulo Mendes da Rocha, a pós-modernidade posta à prova.
Os artigos do livro, aliás, também destacam as arquiteturas dos prédios da Pinacoteca, da sede principal que o vencedor do Pritzker tornou transparente com a instalação de claraboias no teto à mais nova Pina Contemporânea, com um átrio e galerias atravessadas pelos raios de sol à beira do jardim da Luz.
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