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Nova obra de Conceição Evaristo e mais notícias literárias – 26/11/2025 – Ilustrada

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“O papel do escritor contemporâneo é fazer uma acumulação de imaginários”, afirma o martinicano Patrick Chamoiseau em entrevista ao editor Walter Porto. O autor veio ao Brasil para participar da Flup, a Festa Literária das Periferias, que acontece no bairro de Madureira, no Rio de Janeiro.

Em um mundo de extremos, onde vozes se recolhem de lados opostos, o autor escolhe um caminho em que todos são ouvidos. Seu objetivo não é derrubar a língua dominante para colocar outra no lugar, mas abrir espaço para “todas as línguas do mundo”.

Essa língua dominante, como explica o escritor, sempre foi a da colonização, que por séculos limitou outros discursos. Mas, se a colonização terminou com as independências, a libertação da linguagem e da cultura é diferente.

Segundo Chamoiseau, todas as fontes linguísticas devem ser valorizadas igualmente. “São coisas que devemos guardar na bolsa para continuar o nosso caminho”, diz.


Acabou de Chegar

“Salvamento” (trad. Floresta, Zahar, R$ 79,90, 248 págs.) é uma autobiografia construída pelas leituras que formaram Dionne Brand, poeta e ensaísta nascida em Trinidad e Tobago e radicada no Canadá. No livro, ela revisita clássicos britânicos, de Defoe às irmãs Brontë, em busca do colonialismo não contado nesses livros, mas indicado em seus silêncios. Como aponta a crítica Carolina Ferreira, Brand não propõe abandonar totalmente o cânone de autores brancos e, sim, adotar uma leitura crítica capaz de reconhecer “as palavras e seus contextos mais amplos”.

“O Uso da Foto” (trad. Mariana Delfini, Fósforo, R$ 69,90, 144 págs) reconstrói o romance que a Nobel francesa Annie Ernaux viveu com o fotógrafo Marc Marie a partir de fotos tiradas durante seus encontros. Pelas imagens, a autora revisita o desejo extinguido pelo parceiro e também o câncer de mama que ela tratava durante a relação. Como escreve a repórter Raíssa Basílio, Ernaux mostra que a fotografia não congela apenas corpos, mas sentimentos.

“Descobrindo a Minha História” (Sextante, R$ 59,90, 48 págs.) trata de ancestralidade a partir da relação entre um avô e seus netos, que ouvem histórias de antepassados da comunidade do rio Omo, na Etiópia. O livro nasce do desejo do autor Lázaro Ramos de incentivar crianças a conversar com familiares e conhecer as próprias raízes. “Muitas vezes procuramos heróis longe da gente, enquanto histórias importantíssimas estão na nossa família e a gente não se preocupa em perguntar”, como ele diz ao jornalista Isac Godinho.


E mais

Às vésperas de seu nonagésimo aniversário, Raduan Nassar, que venceu o Camões em 2016, é um dos principais escritores brasileiros vivos. De sua produção, a pesquisadora Masé Lemos destaca o romance “Lavoura Arcaica”, pequeno em número de páginas mas grande em dimensão artística. Lemos descreve a obra como um “paralelepípedo lírico”, “difícil de ser engolido para os seguidores dos pressupostos rígidos da impessoalidade moderna”.

Conceição Evaristo, autora de ficção celebrada, publicará sua pesquisa de mestrado pela primeira vez. Como conta o Painel das Letras, a dissertação “Literatura Negra: Uma Poética de Nossa Afro-Brasilidade” foi defendida na PUC do Rio de Janeiro em 1996 e chega às livrarias em janeiro pela Pallas com prefácio inédito da própria escritora.

Saiu no Peru a primeira biografia para a qual o papa Leão 14 cedeu entrevista depois de ocupar o cargo máximo da Igreja Católica. A autora americana Elise Ann Allen retrata o papa como um homem moderado e de fácil trato, mas capaz de enfrentar a extrema direita que cresce no mundo e na Igreja. O livro foi lançado primeiro em espanhol, decisão que o repórter Reinaldo José Lopes aponta como estratégica.


Além dos Livros

Morreu Leonardo Fróes, poeta fluminense, aos 84 anos. Ele se notabilizou por obras como “Língua Franca”, “A Vida em Comum” e “Argumentos Invisíveis”, que lhe rendeu um Jabuti em 1996. Também foi tradutor premiado e verteu ao português grandes autores como Virginia Woolf, William Faulkner e Johann Wolfgang von Goethe.

A escritora paulistana Mariana Salomão Carrara venceu pela segunda vez o Prêmio São Paulo de Literatura, agora pelo romance “A Árvore Mais Sozinha do Mundo”. Já na categoria de estreante, o vencedor foi Marcílio França Castro por “O Último dos Copistas”, seu primeiro romance após publicar três livros de contos.

Uma pesquisa publicada na revista americana Publishers Weekly aponta que a maioria dos escritores profissionais de ficção e não ficção usam inteligência artificial no dia a dia. A reportagem de Aline Esteves conta que a maioria desses profissionais usam IA para produzir rascunhos que depois serão editados e apenas 7% admitem publicar textos gerados artificialmente sem edição.

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