Martha Mathias, seu marido e seus dois filhos estavam dormindo em casa quando homens armados chegaram ao campus da Escola Católica St. Mary, no estado do Níger, na Nigéria, na madrugada da última sexta-feira (21).
“Eles pediram para meu marido sair e, quando ele saiu, o amarraram”, disse Mathias, professora da escola em que mais de 300 crianças e funcionários foram sequestrados em uma das piores ações do tipo no país em uma década.
A ação aterrorizou a filha mais nova, que viu o pai caído no chão e começou a chorar. “Eles disseram para minha filha que, se ela não ficasse quieta, atirariam nela. Colocaram a arma na boca dela, mandando-a ficar calada.”
O marido de Mathias foi levado pelos homens armados e está entre os 12 funcionários e cerca de 253 alunos que foram sequestrados em 21 de novembro. A Associação Cristã da Nigéria informou no domingo (23) que 50 alunos conseguiram escapar dos sequestradores.
Um deles, Stephen Samuel, 13, disse que homens armados os acordaram, os amarraram e os levaram para fora da escola. Na saída, os homens armados retiraram um quadro com uma imagem da Virgem Maria e atiraram nele.
Samuel disse que conseguiu escapar quando um dos homens armados tentava consertar sua motocicleta. “Eu corri. Eles não me viram. Eu não sabia para onde ir, então segui o caminho de onde tínhamos vindo até encontrar um vizinho. Ele me reconheceu, me acolheu, me deu roupas e me levou para casa.”
O governo da Nigéria afirma que as forças de segurança estão procurando por crianças e funcionários desaparecidos. Emmanuel Bala, presidente da associação de pais e professores da escola, disse que não viu nenhuma das crianças que escaparam.
Outra mãe, que se identificou como Njinkonye e cujo filho de 10 anos estava entre os desaparecidos, disse que foi à escola nesta segunda (24). “Vim à escola. Estou aqui, procurando e vendo se encontro alguma criança que tenha retornado, mas não vi nenhuma”, disse.
O ataque ocorreu na mesma semana em que meninas foram sequestradas de um internato no noroeste do estado de Kebbi, e 38 pessoas foram levadas por homens armados durante um culto religioso em Kwara, na região central da Nigéria.
No caso do internato, 24 meninas sequestradas foram libertadas, segundo comunicado do governador do estado emitido nesta terça-feira (25).
As meninas foram sequestradas há pouco mais de uma semana, quando homens armados invadiram a escola em Kebbi, pouco depois da saída de uma unidade militar do local. O ataque desencadeou uma onda de sequestros semelhantes nos estados de Kwara e Níger, segundo as autoridades.
O presidente nigeriano, Bola Tinubu, comemorou nesta terça a libertação das meninas e pediu às forças de segurança que intensifiquem os esforços para libertar outras pessoas ainda em cativeiro.
“Estou aliviado por todas as 24 meninas terem sido encontradas. Agora, precisamos, com urgência, aumentar o efetivo policial nas áreas vulneráveis para evitar novos sequestros. Meu governo oferecerá toda a assistência necessária para isso”, disse Tinubu.
Sequestros em massa para resgate tornaram-se comuns no norte da Nigéria, onde gangues armadas atacam escolas e comunidades rurais, muitas vezes sobrecarregando as forças de segurança locais.



