Ataques aéreos de Israel mataram 25 palestinos na Faixa de Gaza nesta quarta-feira (19), segundo autoridades do território, controlado pelo Hamas. Os bombardeios, que atingiram abrigos para famílias deslocadas, é mais uma demonstração da fragilidade da trégua entre Tel Aviv e o grupo terrorista.
Médicos informaram que duas pessoas foram mortas no subúrbio de Shuja’iyya, a leste da Cidade de Gaza, 10 pessoas no subúrbio vizinho de Al-Zaytun, e o restante em dois ataques separados em Khan Yunis, no sul do território.
O Exército de Israel diz ter atacado alvos do Hamas em toda Gaza depois que membros da facção abriram fogo contra suas tropas, violando o cessar-fogo de quase seis semanas. Nenhum israelense ficou ferido.
Incidentes do tipo mostram a vulnerabilidade do cessar-fogo que interrompeu uma guerra de dois anos em outubro. Desde então, Israel e Hamas trocam acusações de violação da trégua mediada pelos Estados Unidos —a primeira etapa do plano de 20 pontos do presidente Donald Trump para o pós-guerra.
Segundo médicos, testemunhas e a mídia palestina, os três ataques ocorreram no interior do território, longe da chamada “linha amarela”. A fronteira imaginária acordada entre as duas partes no mês passado separa as áreas sob controle de Israel e de autoridades palestinas.
Enquanto o ataque em Zaytun foi contra um edifício pertencente a autoridades religiosas muçulmanas, o ataque em Khan Yunis foi contra um clube administrado pela ONU, ambos abrigando famílias deslocadas, de acordo com relatos.
Após o cessar-fogo de 10 de outubro, Israel retirou suas tropas de parte de Gaza, permitindo que centenas de milhares de palestinos retornassem ao que havia sobrado de suas casas e o fluxo de ajuda aumentasse.
No entanto, a violência não cessou completamente. Autoridades de saúde palestinas dizem que 305 pessoas foram mortas por Israel em ataques a Gaza desde a trégua —quase metade delas em um único dia na semana passada, quando Tel Aviv retalhou um suposto ataque às suas tropas. O Estado judeu afirma que três de seus soldados foram mortos desde o início do cessar-fogo.
Segundo dados da ONU, até o final de setembro, o Exército israelense danificou ou destruiu 83% dos edifícios que existiam em Gaza antes da guerra.O território palestino, um dos mais densamente povoados do mundo, está coberto por 61,5 milhões de toneladas de escombros, quase 170 vezes o peso do Empire State Building de Nova York.
A guerra começou após um ataque do Hamas em Israel no dia 7 de outubro de 2023 deixar cerca de 1.200 mortos. A campanha militar israelense de retaliação matou mais de 69.500 pessoas, segundo números do ministério da Saúde do território controlado pelo Hamas, considerados confiáveis pela ONU.



