Jards Macalé nasceu em 3 de março de 1943 na Tijuca, bairro do RJ, mas passou a juventude entre Copacabana e Ipanema. Ele foi um músico, violonista, cantor e compositor
Nos anos 1950, se tornou amigo de Vinicius de Moraes. Outra amizade importante em sua vida foi Nara Leão. Na época, Macalé chegou a acompanhar a cantora ao violão em shows no clube Caiçaras, na Lagoa
Em diversos momentos da carreira, Macalé andou em grupos, mas nunca fez parte deles. Estava preocupado em fundar sua própria linguagem artística. Fez, por exemplo, arranjos do disco “Transa”, de Caetano Veloso, mas nunca foi tropicalista
Assim, na era dos festivais, ficou deslocado, porque ainda se detinha à poética viniciana (de Vinicius de Moraes). Nos anos 1970, foi um dos agentes do processo de eletrificação da música brasileira
A total independência do compositor está assentada no instrumento musical que escolheu, símbolo de sua singularidade estética
Nos anos 1980, foi boicotado pelas gravadoras e pela mídia, caindo numa longa depressão. Numa das crises, João Gilberto salvou sua vida cantando ao pé do ouvido “Rancho Fundo”, de Ary Barroso
Aos 80 anos, em 2023, lançou “Coração Bifurcado”, seu 13º disco de inéditas. Gal Costa faria participação no trabalho cantando a música “Simples Assim”, mas morreu antes de conseguir fazê-lo
Durante a ditadura, Macalé foi um alicerce afetivo e musical para Gal, tendo composto “Vapor Barato” e “Mal Secreto”, com Waly Salomão, e produzido o disco “Legal”, em 1970
Em setembro de 2025, participou do festival Doce Maravilha, no Rio de Janeiro, onde encantou o público cantando canções do seu disco homônimo de 1972
Foi internado no hospital da Unimed da Barra da Tijuca, após passar por procedimento cirúrgico. Morreu no hospital, uma semana depois, aos 82 anos, no dia 17 de novembro de 2025
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