3.9 C
Nova Iorque
quinta-feira, fevereiro 26, 2026
No menu items!

Buy now

spot_img
No menu items!

Maestrina é primeira mulher a reger orquestra no Irã – 16/11/2025 – Ilustrada

Quando Paniz Faryusefi sobe ao pódio e levanta a batuta, ela encarna muito mais do que a promessa de uma interpretação vibrante. Entre os olhos dirigidos a ela no renomado Salão Vahdat de Teerã estão os de muitas jovens músicas inspiradas ao vê-la ocupar seu lugar como a primeira mulher regente de uma orquestra sinfônica no Irã.

A vida profissional e cultural das mulheres continua sendo fortemente restringida na conservadora República Islâmica, especialmente no que diz respeito a apresentações públicas diante de audiências mistas. As mulheres, por exemplo, não podem cantar sozinhas na frente de homens.

Mas, como exemplifica Faryusefi, de 42 anos, agora elas podem reger uma orquestra. “Quando subi ao palco, notei que todos os olhares estavam voltados para uma mulher regendo a orquestra, e senti uma enorme responsabilidade”, disse à AFP após o concerto.

Amplos protestos de rua sacudiram o Irã durante vários meses após a morte sob custódia, em 2022, de uma jovem presa por supostamente violar o rígido código de vestimenta para mulheres do país.

Na esteira dos distúrbios, o governo relaxou certas restrições e as mulheres jovens adquiriram maior visibilidade em alguns âmbitos da vida social e cultural. E desde a guerra de 12 dias com Israel no início deste ano, os iranianos estão empurrando ainda mais os limites sociais.

Alguns analistas afirmam que as autoridades mostram uma maior tolerância, embora continuem vigiando de perto qualquer sinal de dissidência política. Várias mulheres do público no concerto não usavam lenço. A regente sim, cobrindo o cabelo como exige a lei, mas sua mera presença no pódio já era um sinal de maior abertura.

O público compartilhou o entusiasmo de Faryusefi, especialmente as jovens, conscientes de estarem presenciando um momento histórico. Em algumas cidades iranianas, as mulheres músicas não têm permissão para atuar no palco, e na capital, Teerã, não podem elevar a voz para cantar em público.

Faryusefi nasceu em uma família artística e sua mãe sonhava que ela se tornasse regente de orquestra, mas as academias iranianas de artes cênicas não oferecem aulas de regência.

Ela frequentou brevemente aulas na Armênia antes de voltar para construir uma carreira pioneira. “As jovens precisam perseverar e seguir seus sonhos”, afirmou.

Do pódio, Faryusefi regeu a Orquestra Sinfônica de Teerã, composta por 50 integrantes, na interpretação de obras do austríaco Franz Schubert, do finlandês Jean Sibelius e do compositor soviético-armênio Aram Khachaturian.

“Espero que isso marque uma nova era para as jovens iranianas e que compreendam que não devem ter medo. É a única porta para a emancipação”, destacou.

“Um amigo viu uma menina entre o público imitando meus movimentos. Pareceu-lhe que um sonho já estava criando raízes, que ela pensava que também poderia um dia alcançar o mesmo”, ressaltou.

Os concertos aconteceram durante dois dias e atraíram multidões. Said Shurabi, de 53 anos, trabalha na fabricação de metal e não costumava assistir a concertos até que sua filha, que estava fora da cidade, comprou-lhe os ingressos e insistiu para que ele fosse.

“No Irã, as mulheres sempre foram freadas e não puderam expressar plenamente seu talento, embora eu esteja certo de que são tão capazes quanto os homens”, afirmou.

Related Articles

Stay Connected

0FansLike
0FollowersFollow
0SubscribersSubscribe
- Advertisement -spot_img

Latest Articles