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Músicos do Muncipal acionam MP-SP contra gestão Nunes – 15/11/2025 – Ilustrada

A Associação dos Músicos do Theatro Municipal, a Amithem, acionou o Ministério Público de São Paulo contra a Fundação Theatro Municipal, autarquia vinculada à Secretaria Municipal de Cultura, responsável por contratar a entidade privada que faz a gestão do equipamento cultural.

A denúncia critica a continuidade do contrato de gestão com a Sustenidos com a prefeitura de São Paulo.

Em setembro, Ricardo Nunes (MDB) havia pedido o cancelamento do contrato com a organização social. O ofício enviado ao MP-SP também acusa a Sustenidos de má gestão, o que a OS nega.

A principal motivação foi uma decisão do Tribunal de Contas do Município de 2023, que naquela altura solicitou, por unanimidade, que a Fundação Theatro Municipal realizasse um novo edital para a escolha de uma organização social de cultura para gerir o teatro —o que não foi feito desde então.

Procurada, a prefeitura afirma que uma nova licitação será lançada nos próximos dias, com a inclusão de sugestões recebidas durante o período de consulta pública, e que a vencedora substituirá a Sustenidos.

A Fundação Theatro Municipal afirma que “foi oficiada pelo Ministério Público e já apresentou seus esclarecimentos sobre as alegações infundadas da Amithem”.

A prefeitura, porém, não respondeu se o contrato de licitação firmado com a Sustenidos será rompido antes da data prevista pelo edital —isto é, maio de 2026— ou se a OS poderá concorrer ao novo edital.

Mas, de acordo uma fonte envolvida no processo, sob condição do anonimato, não haverá qualquer contrato emergencial, logo, a Sustenidos —que inclusive já anunciou a temporada lírica do ano que vem— ficará normalmente até o fim do contrato e poderá concorrer no próximo edital.

A Amithem diz que não tem interesse em disputar a gestão do Theatro Municipal e critica a minuta publicada pela Sustenidos. Segundo a entidade, o documento evidencia uma desidratação dos corpos artísticos e da programação.

À Folha a prefeitura afirma que a defesa prévia apresentada pela Sustenidos está em análise e que o processo está de acordo com a legislação.

Nunes disse, à época, que pediu a rescisão do contrato porque a Sustenidos não demitiu, a pedido do Theatro Municipal, o funcionário Pedro Guida. Ele havia compartilhado, na ocasião da morte do trumpista Charles Kirk, uma postagem no Instagram em que uma pessoa dizia que o influenciador era nazista.

A Sustenidos afirma que foi aplicada uma medida disciplinar a Guida, que já foi cumprida. Ele segue no quadro de funcionários como diretor de elenco do Municipal.

Os últimos episódios da crise no Theatro Municipal

A prefeitura e a gestora do teatro passam por uma guerra com ares ideológicos que foi conflagrada, nos últimos anos.

De um lado, a Sustenidos é acusada de ter direção artística orientada por pautas ligadas à esquerda. Do outro, vereadores conservadores, aliados a Nunes, se posicionaram contra a gestora, por uma suposta doutrinação ideológica no teatro.

A Justiça de São Paulo, no mês passado, anulou a nomeação de dois integrantes da comissão de avaliação da fundação. Um deles possuía histórico atuando como porteiro, vigia noturno e auxiliar de marcenaria. A outra pessoa era, na ocasião, um jovem de 22 anos que cursava o nono período de direito em uma universidade privada.

Na semana passada, o contrabaixista Brian Fountain, músico da Orquestra Sinfônica Municipal, foi afastado após ter criticado, na internet, a produção da ópera “Macbeth”. A suspensão disciplinar deve durar 30 dias, e Fountain fica impedido de receber seu salário nesse período.

Em suas redes sociais, ele chamou a montagem de uma “destruição da ópera e da música clássica no TMSP”.

Na última sexta (7), o público que esperava uma récita espetáculo foi surpreendido por um protesto dos corpos artísticos da casa após o afastamento do contrabaixista.

“Estamos em oposição à gestão da Sustenidos e à atual diretoria da Fundação Theatro Municipal”, disse o músico Claudio Guimarães. “Declaramos que ninguém que chega e passa nos fará calar. Somos os artistas do Theatro Municipal de São Paulo, patrimônio imaterial dessa cidade. Honramos nossa história e protegeremos essa casa, que é também a casa de vocês.”

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