A Justiça da França investiga suposto plano de atentado vinculado a Salah Abdeslam, o único terrorista vivo do grupo que cometeu os ataques de 13 de novembro de 2015, que deixou 130 mortos em Paris e arredores da capital. Três pessoas, entre elas uma que seria companheira de Abdeslam, estão detidas, afirmou neste nesta sábado (8) a Promotoria Nacional Antiterrorista (Pnat).
Nos dez anos dos atentados, a França presta homensagens durante os próximos dias às vítimas. Em uma entrevista divulgada no sábado, o promotor nacional antiterrorista, Olivier Christen, afirmou que a ameaça jihadista é “a mais importante tanto em volume quanto em nível de preparação dos possíveis atentados, e que aumentou” nos últimos três anos.
Abdeslam, preso na penitenciária de Vendin-le-Vieil (norte) pela participação nos ataques de 2015, foi interrogado na terça-feira (4) por um caso aberto em janeiro de 2025 sobre a posse ilícita de um pen drive na prisão.
No sábado, a promotoria antiterrorista anunciou que tal investigação foi ampliada para o delito de associação criminosa com fins terroristas na preparação de um crime contra pessoas.
A promotoria precisou que outra pessoa fosse colocada sob custódia para interrogatório, também na terça-feira. A detenção dessa pessoa “continua e foi prolongada além das 96 horas iniciais, por mais 24 horas”.
A Justiça francesa pode prolongar excepcionalmente uma custódia policial além das 96 horas previstas, em caso de “risco sério de uma ação terrorista iminente” ou se “as necessidades de cooperação internacional o requerem de maneira imperativa”.
Esta medida, que precisa da autorização de um juiz, é muito raramente utilizada no âmbito antiterrorista.
Segundo a rádio RTL, esta pessoa mantida sob custódia é a companheira de Abdeslam, apresentada pelo jornal Le Parisien como Maëva B., 27, que teria mantido uma relação por cartas por longo tempo com o detento antes de ser autorizada a visitá-lo.
Segundo a promotoria antiterrorista, ela está sob custódia por ocultação de objetos ilícitos destinados a um detento e por associação criminosa terrorista com fins criminais.
Outras duas pessoas foram colocadas sob custódia nesta sexta-feira (7) e seguem detidas, acrescentou o órgão judicial.
Uma fonte sindical penitenciária indicou na quinta-feira à AFP que “foram detectadas conexões de um pen drive” no computador de Abdeslam, que tinha direito legal de adquirí-lo para “seguir cursos”, embora com um “uso muito limitado”.
Este pen drive, que segundo Le Parisien teria permitido transferir propaganda jihadista ao computador do detento, “foi procurado mas não encontrado”, segundo essa mesma pessoa afirmou à AFP.



