O presidente Donald Trump afirmou nesta sexta-feira (7) que nenhum representante do governo dos Estados Unidos participará da cúpula do G20, marcada para os dias 22 e 23 de novembro na África do Sul.
Trump já havia dito que não compareceria ao encontro devido a desentendimentos com Pretória. O republicano tem feito ataques contra lideranças do país africano devido à aprovação de uma lei que prevê desapropriação de terras para diminuir desigualdades, taxada pelo americano de racista contra brancos, e ao posicionamento do governo sul-africano em relação às ações militares de Israel, aliado histórico de Washington, na Faixa de Gaza.
Com a decisão, os EUA ficarão ausentes de um dos principais fóruns de coordenação econômica e política global, que reúne as maiores economias do mundo, incluindo o Brasil, para discutir temas como crescimento e comércio. O G20 é formado por 19 países e dois blocos econômicos: a União Europeia e a União Africana.
As tensões entre EUA e África do Sul aumentaram após a aprovação, em janeiro, do texto que prevê as desapropriações. Segundo Trump e Elon Musk, nascido no país africano e à época próximo do presidente, a medida é racista, uma vez que os proprietários brancos seriam visados.
Em maio, Trump encurralou o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, que visitava a Casa Branca, com afirmações sem provas sobre o falso “genocídio branco” que estaria em curso no país africano —e chegou a apagar as luzes do Salão Oval para mostrar um vídeo que supostamente embasaria as acusações.
O governo de Pretória nega racismo e afirma que a legislação vem sendo deturpada para criar pânico. As terras seriam apreendidas sem compensação apenas em casos raros, incluindo abandono ou se o proprietário usar o terreno como forma de especulação. A lei atualiza texto de 1975 e reconhece a desapropriação como um ato legítimo para dar aos terrenos funções públicas.
Trump, ainda assim, tem favorecido em suas políticas migratórias os africâneres, como são chamados os descendentes dos colonos europeus, principalmente holandeses, que chegaram à África do Sul a partir do século 17. Segundo o governo, as vagas destinadas ao refúgio em território americano serão destinadas a esse grupo “e a outras vítimas de discriminação ilegal ou injusta em seus respectivos países de origem”.
Ao anunciar o boicote ao G20 na África do Sul, Trump voltou a dizer, sem apresentar quaisquer provas, que há um massacre contra pessoas brancas no país.
“É uma vergonha total que o G20 seja realizado na África do Sul. Os afrikaners (descendentes de colonos holandeses e também de imigrantes franceses e alemães) estão sendo mortos e massacrados, e suas terras e fazendas estão sendo confiscadas ilegalmente”, escreveu ele em uma postagem na Truth Social.
“Nenhum funcionário do governo dos EUA participará enquanto esses abusos dos direitos humanos continuarem. Estou ansioso para sediar o G20 de 2026 em Miami, Flórida!”, acrescentou.
EUA e a África do Sul também acumulam atritos devido à denúncia apresentada pelos sul-africanos na Corte Internacional de Justiça, no ano passado, de que Israel estaria cometendo um genocídio na Faixa de Gaza. Enquanto Tel Aviv é o maior aliado de Washington no Oriente Médio, Pretória é um dos maiores críticos das ações militares no território palestino.



