Esta é a edição da newsletter China, terra do meio desta terça-feira (16). Quer recebê-la toda semana no seu email? Inscreva-se abaixo:
A chinesa BYD planeja ampliar sua presença no mercado brasileiro de ônibus elétricos. A expectativa é fabricar aproximadamente 1.200 unidades em 2026, impulsionada pela demanda de grandes cidades, especialmente no estado de São Paulo.
A informação foi confirmada pelo diretor de veículos comerciais da montadora chinesa, Marcello Schneider, à newsletter. Em 10 anos, a marca produziu cerca de 600 chassis de ônibus na fábrica de Campinas, no interior de São Paulo. É a metade do que a empresa pretende entregar só em 2026.
Para isso, a BYD vai abrir uma nova fábrica, afirma Schneider. A planta atual tem capacidade para produzir até 2.000 chassis por ano, considerando apenas ônibus de 12 metros. Na prática, o mix de modelos (que inclui ônibus articulados, que consomem o equivalente a dois chassis convencionais) reduz esse volume.
De janeiro a novembro, a montadora entregou 21,29% dos novos ônibus elétricos do país, atrás da Caio Induscar (33,58%) e da Mercedes-Benz (32,23%), segundo ranking da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
No plano aprovado na sede da empresa, em Shenzhen, na China, prevê-se uma expansão rápida e temporária, com a instalação de uma unidade adicional próxima a Campinas, no interior de São Paulo. A previsão é de que ela ficará pronta em até seis meses e vai dobrar a capacidade produtiva da empresa no curto prazo.
Em paralelo, a BYD prepara o projeto de uma nova fábrica construída do zero, também no estado de São Paulo. A cidade que receberia a fábrica não é revelada.
A previsão é de que ela entre em operação em até três anos para substituir todas as instalações atuais de ônibus elétricos da empresa no país. O projeto prevê um complexo industrial de cerca de 180 mil metros quadrados. A unidade atual ocupa aproximadamente 7 mil metros quadrados.
Quando estiver em plena operação, a nova planta terá capacidade para produzir até 7.000 chassis por ano. O plano é que ela também permita o início da produção local de caminhões elétricos, hoje ainda importados. O valor do investimento não foi divulgado.
“A nossa ideia é que o Brasil seja esse hub de produção. Primeiro para atender o mercado nacional, mas já nascendo com a projeção de exportar para o Mercosul. A partir do momento em que a gente parte para o mercado externo, a fábrica precisa ter escala para isso”, afirma Schneider.
A BYD diz que é procurada por encarroçadoras interessadas em usar o Brasil como base de exportação para a América do Sul e América Central. Segundo o executivo, a empresa também olha mais adiante, considerando os mercados da África e do Oriente Médio, onde a indústria brasileira de ônibus teve presença relevante no passado.
Por que importa: a expansão da montadora chinesa sinaliza que a eletrificação de ônibus no Brasil deixou de ser um experimento para entrar em escala industrial. A nova fábrica colocaria o Brasil entre os principais polos globais em veículos pesados da montadora.
Pare para ver
“Smith Street” tela do artista sino-malaio Ng Woon Lam retratando o Ano Novo Chinês em Chinatown, Singapura. A tela mescla padrões complexos para criar esta imagem semiabstrata com as cores quentes da época.
o que também importa
★ O magnata da mídia e ativista pró-democracia Jimmy Lai foi condenado em Hong Kong. Preso desde 2020, o fundador do extinto jornal Apple Daily pode pegar prisão perpétua e será sentenciado no início de 2026. O tribunal afirmou que Lai usou o jornal para pressionar governos estrangeiros a sancionar Hong Kong e a China. O governo local celebrou a decisão enquanto entidades de direitos humanos chamaram o julgamento de “farsa política”.
★ As vendas no varejo da China cresceram 1,3% em novembro na comparação com o ano passado, bem abaixo do 2,8% esperado. A produção industrial avançou 4,8% ante estimados 5% e o investimento em ativos fixos caiu 2,6% de janeiro a novembro, pior que a estimativa e no ritmo mais fraco desde 2020. Além da má notícia no consumo, o investimento imobiliário recuou 15,9% no período e a queda dos preços de moradias se intensificou, aprofundando ainda mais a crise em um setor que já respondeu por quase um terço do PIB chinês.
para ir a fundo
- A Observa China 观中国 lançou uma edição comemorativa de 5 anos da Revista Sinóptica, com artigos de sinólogos convidados acerca de temas como a percepção da China no mundo lusófono, a disputa com os EUA, cooperação Brasil-China e outros temas. A edição é gratuita e pode ser lida aqui.
- Estão abertas até 5 de fevereiro as inscrições para o programa de bolsas de estudos na China. Há oportunidades para graduação, mestrado e doutorado, em programas conduzidos em chinês ou inglês. Informações e edital neste link.



