Novos confrontos militares na fronteira entre o Camboja e a Tailândia desfizeram de vez a frágil paz selada com intermediação de Donald Trump e mataram ao menos quatro civis cambojanos nesta segunda-feira (8), segundo o ministro da Informação, Neth Pheaktra, em declaração à agência de notícias AFP.
Do lado tailandês, o governo havia anunciado anteriormente que um soldado morreu e ao menos quatro ficaram feridos nos confrontos na fronteira entre os países. Bancoc realizou nesta segunda ataques aéreos contra as províncias fronteiriças de Oddar Meanchey e Preah Vihear.
Os países tiveram um conflito nos últimos meses pela disputa de pontos não demarcados na fronteira terrestre, que remonta ao período de colonização francesa. O confronto causou a morte de dezenas de pessoas e forçou o deslocamento de cerca de 330 mil.
Um cessar-fogo costurado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, foi assinado no fim de outubro, mas suspenso algumas semanas depois pela Tailândia devido à explosão de uma mina que feriu vários soldados. Desde então, as duas partes relataram confrontos esporádicos na fronteira que se intensificaram desde domingo (7).
“Muitos pensaram que o conflito havia terminado. Não deveria ter acontecido novamente”, afirmou à AFP a tailandesa Tannarat Woratham, 59, que abandonou sua casa no domingo a poucos quilômetros da fronteira com o Camboja.
O porta-voz do Exército da Tailândia, Winthai Suvaree, anunciou nesta segunda que faria ataques aéreos “de alta precisão” contra alvos militares do país vizinho, “sem impactar civis”. Segundo o porta-voz, a ação foi uma resposta a ataques com armas de fogo do Exército cambojano que deixaram um soldado morto.
O Exército da Tailândia acusou as tropas vizinhas de disparar foguetes BM-21 contra áreas civis na província de Buri Ram, mas não relatou vítimas.
Já a porta-voz do Ministério da Defesa do Camboja, Maly Socheata, disse que as Forças Armadas do país ainda não reagiram. Ela afirmou queum caça F-16 tailandês realizou os ataques.
O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, pediu às partes que interrompam os combates e recorram à diplomacia. “Nossa região não pode se permitir que disputas antigas se transformem em ciclos de confronto”, afirmou Anwar em um comunicado.
Ao ser questionado sobre o pedido de Anwar, o primeiro-ministro tailandês Anutin Charnvirakul respondeu que ninguém deve dizer ao seu país para “agir com moderação ou parar”. “Se querem que as coisas parem, digam ao agressor que pare”, acrescentou.



