Um relatório do inspetor-geral interino do Pentágono concluiu que o uso de um aplicativo de mensagens pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, para discutir ataques aéreos de forças americanas no Iêmen no início do ano colocou em risco soldados dos Estados Unidos, segundo duas pessoas familiarizadas com o caso.
O relatório, cuja divulgação pública está programada para quinta-feira (4), examinou a participação de Hegseth em um grupo no aplicativo de mensagens Signal com vários outros altos funcionários do governo Trump. A conversa se tornou pública porque um jornalista foi adicionado por engano ao grupo.
A investigação interna do Pentágono determinou que o uso do aplicativo por Hegseth arriscou comprometer informações do Departamento de Defesa que poderiam ter colocado em perigo pessoal e missões se tivessem sido divulgadas a um adversário estrangeiro.
O relatório também afirmou que Hegseth se recusou a conceder uma entrevista ao inspetor-geral sobre o assunto e, em vez disso, forneceu uma breve declaração por escrito.
Uma versão confidencial do relatório foi fornecida a um pequeno número de membros do Congresso em uma sala segura na quarta-feira (3).
Em março, Michael Waltz, então conselheiro de segurança nacional, adicionou por engano Jeffrey Goldberg, editor-chefe da revista The Atlantic, a um chat no aplicativo Signal que incluía o vice-presidente, J. D. Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o assessor da Casa Branca Stephen Miller. O secretário de defesa transmitiu um cronograma detalhado de ataques aéreos contra houthis e infraestrutura no Iêmen apenas duas horas antes que as primeiras bombas começassem a cair em 15 de março.
Essa campanha aérea, que o Pentágono chamou de Operação Rough Rider, durou cerca de seis semanas, com os Estados Unidos atacando mais de 800 alvos no Iêmen com aproximadamente US$ 1,5 bilhão em munições.
O escritório do inspetor-geral anunciou que revisaria o uso do Signal por Hegseth em 3 de abril. Mais tarde naquele mês, foi revelado que ele havia compartilhado informações sensíveis em um segundo grupo de chat do Signal que incluía sua esposa, irmão e advogado pessoal.
O escritório do inspetor-geral é liderado por Steven A. Stebbins, que assumiu interinamente após o presidente Donald Trump demitir seu antecessor, Robert P. Storch, como parte de um expurgo de inspetores-gerais no poder executivo apenas quatro dias após Trump assumir o cargo em janeiro.
A investigação não disse se o uso do aplicativo foi mais extenso ou se informações sensíveis adicionais foram compartilhadas com indivíduos não autorizados.
O relatório também não abordou se alguma das informações era confidencial no momento em que foi compartilhada. Observou, no entanto, que Hegseth tem “autoridade de classificação original” como parte de seu papel como secretário de Defesa e não avaliou se ele buscou adequadamente desclassificar informações antes de discuti-las na plataforma de mensagens não autorizada.
Os investigadores também determinaram que nem todas as mensagens foram devidamente preservadas em conformidade com a Lei Federal de Registros e, em vez disso, dependeram fortemente de detalhes publicamente disponíveis sobre as trocas.
A divulgação do relatório encerrará uma semana difícil para Hegseth, que tem recebido críticas em conexão com uma série de ataques aéreos em 2 de setembro lançados pelo Comando de Operações Especiais Conjuntas contra uma embarcação no Caribe que o Pentágono disse estar contrabandeando drogas.



