A família de Rafael Tudares Bracho, genro de Edmundo González, líder opositor da ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela que defende ter vencido a eleição de 2024, denunciou nesta terça-feira (2) que ele está sendo submetido a um julgamento clandestino pelo regime, quase um ano após sua detenção, ocorrida antes da posse do ditador, em janeiro.
Tudares foi interceptado por homens encapuzados quando seguia com os dois filhos para uma escola, denunciou na época González, atualmente exilado.
A filha do opositor falou sobre o caso. “Hoje, 2 de dezembro de 2025, à noite, tomei conhecimento de informações extraoficiais, publicadas nas redes sociais e em alguns meios digitais, sobre a suposta condenação que teria sido imposta ao meu marido Rafael Tudares Bracho, pela pena máxima de 30 anos de prisão”, declarou Mariana González de Tudares.
Publicações não confirmadas nas redes sociais citam essa suposta condenação a 30 anos de prisão. A família de Tudares está há quase 11 meses sem contato com ele.
O advogado da família, José Vicente Haro, indicou à AFP não ter conhecimento da sentença. A agência de notícias tentou sem sucesso entrar em contato com o regime.
Em junho, autoridades venezuelanas informaram que Tudares seria julgado pelos crimes de terrorismo, conspiração, associação para delinquir e legitimação de capitais.
“Meu advogado e eu nos dirigiremos às autoridades competentes para solicitar as informações oficiais pertinentes, apesar dos grandes obstáculos e barreiras que foram impostos para obter informações sobre o caso e defender os direitos de Rafael”, acrescentou a esposa do detido.
Ela afirmou que “o processo judicial e o julgamento penal” contra seu marido “violam flagrantemente seus direitos humanos”.
A autoridade eleitoral do país proclamou a vitória de Maduro para um terceiro mandato consecutivo sem publicar os resultados detalhados do pleito. A oposição denunciou fraude após divulgar uma amostra abrangente das atas das mesas de votação, que o regime afirma serem falsas. Observadores internacionais não reconheceram a legitimidade da vitória de Maduro.



