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EUA: Estudante é deportada para Honduras ao tentar viajar – 02/12/2025 – Mundo

Uma estudante universitária de 19 anos estava prestes a embarcar em um voo para surpreender sua família no Texas no Dia de Ação de Graças quando foi detida no Aeroporto Internacional Logan, em Boston, e deportada para Honduras dois dias depois, disseram seu pai e seu advogado no domingo (30).

A estudante Any Lucía López Belloza foi levada pelos pais de Honduras para os Estados Unidos quando tinha 7 anos. Seu pai, Francis López, disse em entrevista no domingo que nem López nem seus pais sabiam que havia uma ordem para sua deportação. “Quando prenderam Any, foi quando lhe contaram”, disse Francis, um alfaiate.

Ele disse que seu empregador havia organizado e pago a viagem de sua filha para Austin, Texas, para fazer uma surpresa para ele no trabalho.

O advogado de Any, Todd Pomerleau, descreveu um processo opaco para obter informações sobre o caso, incluindo os motivos para sua deportação. Ele disse que Any foi deportada em violação a uma ordem judicial assinada por um juiz federal na sexta-feira, que determinava que a estudante não poderia ser removida dos EUA enquanto seu caso estivesse pendente.

López, uma caloura que estuda administração na Babson College em Wellesley, Massachusetts, estava prestes a embarcar em um voo da Southwest Airlines para o Texas na madrugada de 20 de novembro. Ela foi informada de que havia um problema com sua passagem, então foi ao atendimento ao cliente e foi cercada por agentes de imigração, disse Pomerleau.

Tricia McLaughlin, porta-voz do Departamento de Segurança Interna, disse em um comunicado por email que um juiz de imigração ordenou que Any fosse deportada em 2015, quando ela era criança. “Ela recebeu todo o devido processo legal e foi removida para Honduras”, disse.

Pomerleau afirmou que verificou as informações dela no banco de dados do Escritório Executivo de Revisão de Imigração e não encontrou nenhum registro de sua ordem de deportação original. “Portanto, não estou convencido de que ela tenha uma ordem de remoção e, se tivesse, ela deveria ter sido notificada, porque ela não tem conhecimento algum dessa situação”, disse ele.

No sábado, depois de passar uma noite detida no Texas, ela foi colocada em um ônibus com algemas nos pulsos, cintura e tornozelos antes de ser colocada em um voo para Honduras, acrescentou Pomerleau.

Any está hospedada com seus avós em Honduras e pediu que seu pai falasse em seu nome, segundo ele. Francis disse que ela achou perturbador relatar os detalhes de sua remoção, em particular por ter sido detida e algemada.

Ele disse que sua filha lhe contou que não havia assinado nenhum documento autorizando sua remoção dos Estados Unidos, como algumas pessoas fazem para evitar detenções prolongadas. Any morava no Texas com seus pais e dois irmãos mais novos, de 2 e 5 anos, antes de ir para a faculdade.

A família emigrou há quase 12 anos por conta da criminalidade desenfreada e da insegurança em San Pedro Sula, Honduras. Francis e sua esposa temiam pela filha, pois as notícias eram repletas todas as semanas “de mortes e assassinatos”, disse ele. “Essa é a razão pela qual partimos.” A família havia solicitado asilo, segundo ele, mas o pedido foi negado e nunca foram informados de que precisavam recorrer para evitar uma ordem de deportação.

Francis descreveu sua filha como organizada e estudiosa. “Ela tinha essa responsabilidade —de ser a primeira a se formar na faculdade e ser um exemplo para os outros”, disse ele, que costurou seus ternos para entrevistas e estágios.

Agora, segundo Francis, Any estava abalada por estar de volta ao país que havia deixado para trás há tanto tempo. “Ela está tentando se adaptar à sua nova realidade”, disse ele.

Any Lucía López Belloza disse ao site Boston Globe estar preocupada com como continuaria seus estudos. “Trabalhei muito para poder estar na Babson no meu primeiro semestre, esse era o meu sonho”, afirmou. “Estou perdendo tudo.” Um porta-voz da Babson College não respondeu imediatamente a um pedido de comentário no domingo.

Na época em que a família López deixou Honduras, a migração da América Central estava crescendo, pois as pessoas, principalmente em El Salvador, Guatemala e Honduras, fugiam da violência, do crime e da estagnação econômica.

Nos últimos anos, a migração de Honduras aumentou, com milhares de pessoas se juntando a caravanas de migrantes e acampando na fronteira entre os EUA e o México. O presidente Donald Trump fez da interrupção da imigração e da expulsão de migrantes uma mensagem central de suas campanhas, ainda mais em sua busca por um segundo mandato.

Nos últimos dias, ele voltou sua atenção para Honduras, apoiando um candidato de direita nas eleições deste fim de semana e buscando perdoar um ex-presidente que muitos especialistas culpam por estimular a migração em massa de seu país para os Estados Unidos.

A presidente em exercício, Xiomara Castro, passou o final de seu mandato tentando equilibrar sua obrigação com os migrantes nos Estados Unidos que não têm status legal —estimados em mais de 500 mil— com a necessidade de cooperar com o governo Trump, que tem sido duro com os líderes que não apoiam sua agenda.

Até 20 de novembro, quase 30 mil hondurenhos haviam sido deportados este ano, cerca de 13 mil a mais do que no mesmo período do ano passado, de acordo com dados do governo hondurenho. Autoridades do país não responderam imediatamente a um pedido de comentário sobre o caso de Any.

Seu pai disse achar importante compartilhar o sofrimento de sua família em um momento em que tantos estão enfrentando a deportação em meio à repressão à imigração de Trump. “Decidi falar porque é uma realidade que estamos enfrentando agora”, afirmou.

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