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As chaves da vitória do Não no Equador – 26/11/2025 – Latinoamérica21

Em 16 de novembro, o Equador realizou sua sétima votação em dois anos: um referendo e uma consulta popular propostos pelo governo de Daniel Noboa.

O pacote incluía quatro reformas profundas: convocar uma nova Constituinte, permitir bases militares estrangeiras, reduzir o número de parlamentares e eliminar o financiamento estatal aos partidos. Em todas as perguntas, o “Não” venceu de forma contundente, entre 53% e 61%. Mais do que rejeitar reformas específicas, o resultado expressa os limites que a sociedade equatoriana impôs ao governo em meio à crise de segurança e ao aumento do autoritarismo.

Apesar de Noboa manter elevada aprovação, pesquisas como o levantamento nacional realizado em outubro pela IPSE Global já indicavam a tendência de derrota. O eleitorado equatoriano vive entre dois medos: por um lado, o crescimento da violência, dado que o país se tornou o mais violento da região em poucos anos, e, por outro, o temor de um poder governamental sem limites.

Noboa assumiu com o mandato explícito de restaurar a ordem e adotou uma estratégia de “mão dura”, declarando “conflito armado interno” e militarizando amplamente o país. A população apoiou ações de segurança, mas rejeitou a ideia de “bukelizar” o Equador ou entregar ao presidente um cheque em branco para redefinir as regras democráticas. A pesquisa da IPSE mostrou que 61,5% já percebem o governo como autoritário, o que alimentou o voto no “Não”.

Os eleitores diferenciaram o apoio à segurança do apoio à concentração de poder. Deram a Noboa legitimidade para combater o crime, mas negaram permissão para redesenhar a ordem institucional.

Outro fator decisivo foi a desconexão entre a agenda do governo e as prioridades reais da população. Enquanto Noboa apostava em um debate constitucional, 86,3% dos equatorianos sentiam fortemente o peso do custo de vida, especialmente nos alimentos e no transporte. A economia, e não a arquitetura do Estado, era a principal preocupação.

A campanha do “Sim” também subestimou o apego à Constituição de 2008, aprovada com mais de 63% dos votos. Considerada avançada em direitos e pioneira ao reconhecer os Direitos da Natureza, ela manteve apoio majoritário, sobretudo entre as mulheres: 70,1% delas avaliaram positivamente o texto constitucional. O voto do “Não” teve, assim, um forte rosto feminino, defensor de direitos e estabilidade institucional.

Mesmo a base de Noboa estava dividida: 48,1% de seus próprios eleitores não tinham opinião negativa sobre a Constituição vigente. Além disso, embora reconheçam a importância da cooperação internacional contra o crime organizado, 60,85% rejeitaram a instalação de bases militares estrangeiras.

No médio prazo, os resultados fragilizam politicamente Noboa. Sua governabilidade depende do avanço na segurança, mas a violência segue alta e fragmentada, segundo o Crisis Group. Sem vitórias claras, seu capital político pode se dissipar. A derrota fortalece o Legislativo e o Judiciário como contrapesos, e qualquer tentativa de governar ultrapassando limites institucionais pode desencadear crise, como visto no Peru.

Apesar das dificuldades, o resultado mostra que valores como democracia, soberania, direitos e proteção ambiental seguem centrais para os equatorianos. Eles demandam um governo eficaz, capaz de enfrentar tanto o crime organizado quanto os desafios estruturais como a pobreza, o desemprego e a deterioração dos serviços públicos que continuam no centro de suas preocupações.


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