O embaixador dos Estados Unidos Mike Huckabee, enviado do presidente Donald Trump a Israel, reuniu-se em julho na Embaixada dos EUA em Jerusalém com Jonathan Pollard, um americano que passou 30 anos na prisão por espionagem para Israel, segundo o próprio Pollard.
O encontro, bastante incomum, pegou alguns funcionários americanos de surpresa e pareceu romper drasticamente com anos de precedentes para diplomatas americanos.
O jornal The New York Times soube do encontro por meio de três funcionários americanos que falaram sob condição de anonimato. Quando o veículo questionou Pollard sobre o encontro, ele o confirmou.
Pollard disse que foi a primeira vez que um funcionário americano o recebeu em um escritório do governo americano desde sua libertação, há uma década. “Foi um encontro amigável”, disse ele em entrevista na quarta-feira (19).
O encontro com Pollard, um ex-analista de inteligência naval, não constava da agenda oficial de Huckabee, disseram dois dos funcionários americanos. O fato de ter ocorrido alarmou o chefe da estação da CIA em Israel, afirmaram três dos funcionários.
A CIA se recusou a comentar. A Casa Branca não tinha conhecimento prévio da reunião, segundo um funcionário da Casa Branca e duas pessoas informadas sobre o assunto. O funcionário da Casa Branca também disse que funcionários de alto escalão ficaram alarmados ao saberem que o encontro havia ocorrido.
Questionada sobre o assunto nesta quinta (20), a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que não tinha conhecimento da reunião, mas acrescentou que “o presidente apoia o embaixador”.
Não ficou claro se funcionários do Departamento de Estado aprovaram previamente a reunião de Huckabee com Pollard. O órgão não respondeu a um pedido de comentário.
Em um comunicado, a Embaixada dos EUA disse que Huckabee teve “reuniões com diversas pessoas”. “Por política geral, não comentamos o conteúdo das conversas.”
Pollard, 71, foi condenado por espionagem para Israel e sentenciado à prisão perpétua em 1987, em um dos casos de espionagem mais notórios da Guerra Fria. Embora muitos americanos o considerassem um traidor, alguns israelenses, especialmente os de direita, o viam como um herói e fizeram lobby por ele até que fosse libertado sob condicional em 2015.
Em sua entrevista ao New York Times, Pollard disse que agradeceu a Huckabee por seus esforços em apoio à sua libertação. Pollard disse que “muitas coisas surgiram na conversa”, mas se recusou a dar mais detalhes.



