0.1 C
Nova Iorque
sábado, fevereiro 28, 2026
No menu items!

Buy now

spot_img
No menu items!

Massive Attack une viagem sonora e protestos em São Paulo – 14/11/2025 – Ilustrada

Declarações e notícias da COP30, conferência que está sendo realizada em Belém desde o dia 10, se avolumaram no telão para anunciar a entrada do Massive Attack, em show na noite de quinta (13), no Espaço Unimed, em São Paulo. Era o início de uma apresentação provocativa, repleta de mensagens e estímulos visuais, numa fricção entre arte e política.

A proposta se alinhava à campanha “A Resposta Somos Nós”, movimento que busca viabilizar propostas dos povos originários ante os desafios climáticos. A parceria foi feita entre os músicos ingleses Robert “3D” Del Naja e Grantley “Daddy G” Marshall e os irmãos Iggor Cavalera e Max Cavalera e os artistas Laima Leyton e Pedro Inoue, em conexão com lideranças da Coiab, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira.

A noite encerrou a passagem do Massive Attack pela América Latina, depois de shows em Bogotá, Buenos Aires e Santiago. Embora o tom político marcasse todos eles, foi no Brasil que esse caráter ficou mais quente.

A turnê presenteou o público latino-americano ao trazer destacados parceiros do Massive Attack, em atividade desde os anos 1980. O jamaicano Horace Andy, longevo colaborador, subiu ao palco já na segunda música, com “Girl I Love You”, do álbum “Heligoland”, de 2010. Depois retornou com a hipnótica “Angel”, de “Mezzanine”, de 1994.

A escocesa Elizabeth Fraser, voz do grupo Cocteau Twins, também encantou o público ao longo do show. Além de músicas como “Black Milk” e “Group Four”, cantou “Song to the Siren”, versão do artista folk Tim Buckley gravada com o grupo This Mortal Coil. Mas o grande momento de Fraser no palco foi a doce “Teardrop”, que fechou o setlist, pouco antes da meia-noite —sem bis.

Outro ponto alto foi a presença da cantora inglesa Deborah Miller, que dominou a plateia com os sucessos “Safe from Harm” e “Unfinished Sympathy”, ambos do disco de estreia do Massive Attack, “Blue Lines”, de 1991.

A banda dominava bem as dinâmicas do show, com os músicos se alternando no palco. Embora tenha passado por diferentes discos, o setlist se concentrou no clássico “Mezzanine”, com “Inertia Creeps” e “Risingson”. Também houve espaço para covers de “Levels”, do DJ sueco Avicii morto em 2018, e “Rockwrok”, da banda inglesa pós-punk Ultravox, dos anos 1970.

Durante quase todas as músicas, os telões exibiam uma atordoante sequência de imagens e textos —todos em português—, fruto de colaboração com o cineasta Adam Curtis e a United Visual Artists. Entraram em pauta diversos temas contemporâneos: inteligência artificial, colapso climático, desinformação, genocídio, guerra, desigualdade, fama, individualismo. Em crítica à cibervigilância, foram inclusive projetados rostos de espectadores em sistemas de reconhecimento facial.

Essas mensagens compunham com a música um conjunto impactante, quebrando expectativas de uma pura viagem sonora e estética pelas camadas tão bem construídas pela banda. Junto ao vocal sedutor de Deborah Miller, liam-se dados da devastação na Amazônia, à voz etérea de Elizabeth Fraser sobrepunham-se imagens da destruição em Gaza.

A causa da Palestina foi bastante destacada, com a projeção da bandeira da Palestina —também presente em shows recentes de outras bandas internacionais em São Paulo, de Mogwai a Primal Scream. Além de “Palestina livre”, podia-se ler no telão a frase “Libertem Marwan Barghouti“, em referência ao líder palestino, que está preso há mais de 20 anos.

O show de abertura ficou por conta do Cavalera Conspiracy, banda formada pelos irmãos Max e Iggor Cavalera, que empolgaram parte do público. No repertório estavam músicas do álbum “Chaos A.D.”, do Sepultura, de 1993, e também “Itsári”, gravada com canto de povos xavantes. Ao se despedir, lembrando a proposta da noite, Max gritou “tira a mão da Amazônia, porra!”.

Entre os shows dos Cavalera e do Massive Attack, subiram no palco as lideranças indígenas Dinamam Tuxá, Luana Kaingang, Alana Manchineri e Angela Kaxuyana, vindas da COP30 —para onde voltariam no dia seguinte. Todos convocaram o público, majoritariamente branco e simpático à causa, a se engajar pelos direitos indígenas e pela preservação ambiental.

A preocupação ambiental também orientou a produção, feito com base no “ACT1.5”, guia de boas práticas para realizar espetáculos sustentáveis, escrito junto do centro de pesquisa britânico Tyndall.

Related Articles

Stay Connected

0FansLike
0FollowersFollow
0SubscribersSubscribe
- Advertisement -spot_img

Latest Articles