Vladimir Putin nasceu em São Petersburgo (Leningrado) em 7 de outubro de 1952, numa família operária. Ele se graduou em direito em 1975 e ingressou nos serviços de contra-espionagem aos 23 anos
Putin construiu sua carreira na KGB, servindo na Alemanha Oriental nos anos 80, e fala alemão fluentemente. Ele era visto como um agente de segurança competente e sua instituição valorizava controle e estabilidade
No início dos anos 90, Putin entrou para a política municipal em São Petersburgo. Em 1999, um ex-espião desconhecido, ele emergiu das sombras do governo decadente de Boris Ieltsin
Em agosto de 1999, Putin foi nomeado primeiro-ministro, sendo o 5º em 17 meses, e visto inicialmente como um nome “cinzento”. Ieltsin renunciou no final de 1999, e Putin herdou a Presidência de fato, sendo eleito em março de 2000
Um dos primeiros acertos foi restabelecer a ordem. Sua ascensão se deu em meio à segunda guerra da Tchetchênia, afastando o risco de desintegração russa no Cáucaso
Putin foi creditado por elevar o padrão de vida e resgatar o prestígio internacional do país, que havia passado por uma década de crise e humilhação. Ele trabalhou para restaurar a ideia de uma Rússia forte
A Rússia sob Putin viu um sucesso macroeconômico impulsionado pelo boom das commodities. O desemprego caiu drasticamente (de 14,6% em 1999 para 2,4%), embora a economia atual seja vista com desconfiança
Logo cedo, Putin sufocou oligarcas bilionários e lideranças regionais que desafiavam o Kremlin, consolidando o poder estatal
O líder tornou-se crescentemente autocrático ao longo de duas décadas, sendo considerado por muitos críticos como um ditador. Ele solapou a oposição, o dissenso e a liberdade de expressão
A oposição política foi severamente reprimida. Alexei Navalni, que encarnou um grito de revolta, morreu na prisão. O ex-vice-premiê Boris Nemtsov foi morto a tiros
A progressiva expansão da Otan fez Putin crer que a Rússia seria enganada. Em 2007, ele denunciou a hegemonia americana e o mundo unipolar pós-Guerra Fria
Em 2008, foi deflagrada a primeira salva de sua guerra contra o Ocidente, no conflito para evitar a entrada da Geórgia na Otan. Putin não admite a perda de áreas de influência como a Ucrânia
Em 2022, Putin tomou a decisão mais grave ao invadir a Ucrânia, fracassando na esperada tomada rápida. Isso jogou a ordem internacional em um abismo imprevisível, arriscando o futuro russo
Socialmente, Putin é ferozmente conservador e defende a família tradicional, reiterando a ilegalidade do casamento homossexual e exibindo homofobia aberta
A Constituição russa foi alterada para permitir que ele permaneça no Kremlin até 2036, quando terá 83 anos, salvo uma reviravolta. Ele enfrenta o paradoxo do poder, tornando-se menos empático
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