Israel declarou sua fronteira com o Egito como “zona militar fechada” para impedir o contrabando de armas por meio de drones, anunciou nesta quinta-feira (6) o ministro da Defesa, Israel Katz.
“Dei instruções ao Exército israelense para declarar zona militar fechada a área adjacente à fronteira entre Israel e Egito e para modificar as regras de combate, com o objetivo de lutar contra a ameaça dos drones que colocam em perigo a segurança do país”, afirmou Katz em um comunicado.
“O contrabando de armas por meio de drones faz parte da guerra em Gaza e tem como objetivo armar nossos inimigos. Devem ser tomadas todas as medidas possíveis para acabar com isso”, declarou Katz. “Qualquer pessoa que entrar na zona proibida será considerada um alvo.”
O Exército israelense anunciou nesta semana que frustrou duas tentativas de contrabando de armas por meio de drones na fronteira com o Egito. Os países compartilham quase 200 quilômetros de fronteira.
Israel assumiu o controle do lado palestino da passagem fronteiriça de Rafah no início de maio de 2024, alegando que o local era utilizado para “fins terroristas” e para o contrabando de armas.
Após a tomada de controle, todo acesso à passagem fronteiriça foi suspenso, inclusive para os funcionários da ONU.
A passagem foi reaberta brevemente durante um cessar-fogo anterior entre Israel e o grupo terrorista Hamas, que entrou em vigor em 19 de janeiro de 2025 e colapsou em 18 de março, após ataques israelenses que deixaram mais de 400 mortos, que incluem ao menos 130 crianças, segundo os números divulgados pela facção palestina.
Com a entrada em vigor do plano de paz para Gaza, apoiado pelos Estados Unidos, a embaixada palestina no Egito chegou a anunciar em 18 de outubro que a passagem de fronteira de Rafah seria reaberta, permitindo que palestinos residentes no Egito retornassem ao território.
No mesmo dia, no entanto, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu afirmou que a fronteira ficaria fechada enquanto o Hamas não devolvesse os corpos dos reféns mortos.
No dia seguinte, após acusações mutuas de violações ao acordo, bombardeios de Israel mataram ao menos 45 pessoas, segundo autoridades palestinas, justificados como represálias a disparos que mataram três soldados. Outros 104 palestinos, incluindo quase 50 crianças, foram mortos no dia 28 do mesmo mês.
O grupo terrorista entregou, até esta terça-feira (5), os corpos de 20 dos 28 reféns mortos que permaneciam em Gaza e que deveriam ser devolvidos no início da trégua em outubro. Na segunda-feira (3), as autoridades israelenses identificaram os restos mortais de mais três pessoas sequestradas pelo Hamas.
Israel acusa o Hamas de descumprir o acordo ao não entregar os corpos, enquanto o grupo palestino afirma que a busca é dificultada pela destruição causada pela guerra.
O anúncio feito pela facção nesta terça ocorre num contexto de tensão sobre o cumprimento do cessar-fogo firmado entre Israel e o grupo palestino após dois anos de guerra. O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar “profundamente preocupado com as contínuas infrações” ao acordo.
“[Essas violações] devem cessar, e todas as partes precisam respeitar as decisões da primeira fase do acordo de paz”, disse Guterres, durante cúpula para o desenvolvimento social em Doha, no Qatar.



