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Starbucks vende 60% de operações na China – 04/11/2025 – Mundo

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Com 25 anos de presença na China, a Starbucks vendeu 60% de suas operações para um grupo de investimentos local, abrindo mão do controle do negócio no país asiático.

O comprador é o Boyu Capital, que pagou US$ 4 bi (cerca de R$ 21,5 bi). A companhia de private equity tem sede em Hong Kong e foi fundada por Alvin Jiang, neto do ex-líder chinês Jiang Zemin que governou a China entre 1993 e 2003.

Em nota, as empresas chamaram o negócio de “um marco significativo que combina a marca globalmente reconhecida do Starbucks, expertise em café e uma cultura centrada nos funcionários, tudo aliado ao profundo conhecimento que a Boyu tem dos consumidores chineses”.

Trata-se de uma mudança radical em um mercado em franca expansão no país. Até a chegada da marca americana em 1999, a China não tinha cultura de café e o chá dominava o hábito de consumo.

A Starbucks foi responsável por criar o conceito de cafeteria como espaço de convivência social, com lojas voltadas para jovens profissionais, além de adaptar para o gosto local o sabor das suas bebidas ao criar sabores como matcha, feijão vermelho, bolinho da lua, etc.

A empresa dominou por muitos anos o mercado chinês até o aparecimento da Luckin Coffee. Fundada em 2017, a marca local revolucionou ao trazer café com preços acessíveis, um modelo totalmente digitalizado e lojas inicialmente voltadas apenas para retirada e entrega.

Vendida como “um símbolo do consumo moderno, prático e localmente adaptado” do café, a rede rapidamente se tornou a maior da China, com atuais 26.206 unidades pelo país (contra 7.758 da Starbucks).

No ano passado, o Brasil assinou um acordo para fornecer 240 mil toneladas de café à Luckin Coffee nos próximos anos, um negócio estimado em US$2,5 bi (R$13,46 bi).

O acordo entre a Boyu e a Starbucks permitirá à americana manter o controle da marca na China, mas diminui sua participação nas operações, que têm gerado resultados abaixo do esperado.

O ex-CEO da Starbucks Laxman Narasimhan afirmou em 2024 que estava considerando “parcerias estratégicas” para manter a presença na segunda maior economia do mundo viável. Muita gente especulou à época que, sem uma parceria local, a marca teria quebrado.

Por que importa: o negócio é parte de uma tendência observada há alguns anos. KFC, Pizza Hut e Yum! Brands são alguns exemplos de marcas alimentícias que fracassaram na chegada ao mercado chinês e foram, depois, compradas por investidores do país. É também um sinal dos tempos, com empresários chineses que historicamente não eram afeitos ao café, dominando um mercado bilionário.


pare para ver

Xi Jinping presenteou o presidente sul-coreano Lee Jae-myung com um telefone da Xiaomi durante a Cúpula da Apec realizada no país na semana passada. Ao receber o aparelho, Lee brincou e questionou se ele era seguro. “Você pode mandar checar para ver se há algum se há ‘backdoor’ (acesso oculto que permite entrar sem autorização)”, afirmou Xi, também em tom de piada.


o que também importa

★ O governo chinês pressionou uma universidade britânica para barrar pesquisas sobre o uso de trabalho forçado de uigures em Xinjiang. A informação foi divulgada pela BB, que cita documentos internos. Funcionários da Universidade Sheffield Hallam em território chinês foram interrogados por agentes de segurança, e o acesso a sites da universidade foi bloqueado, prejudicando o recrutamento de alunos chineses. Diante da pressão e de um processo por difamação, a direção suspendeu o trabalho da professora Laura Murphy, referência em direitos humanos e que trabalhava com o assunto. Após as denúncias, a universidade pediu desculpas e restaurou sua pesquisa.

★ Cinco líderes da máfia da família Bai de Mianmar foram condenados à morte nesta semana na China. No total, 21 membros e cúmplices foram considerados culpados por fraude, homicídio e tráfico de pessoas. O clã Bai transformou a cidade de Laukkaing, que faz fronteira com a China, em centro de cassinos e esquemas cibernéticos que movimentaram mais de ¥ 29 bi (cerca de R$21,92 bi) e causaram várias mortes. A sentença, parte de uma ampla campanha contra o crime transnacional, também visa pressionar a junta militar de Mianmar, que por anos tolerou as operações do grupo.

★ Autoridades francesas abriram investigação contra as plataformas chinesas Shein, Temu, AliExpress e Wish por suposta violação de regras que permitiriam o acesso de menores a conteúdo pornográfico. As empresas são suspeitas de veicular mensagens e produtos de teor sexual ou degradante acessíveis a crianças, crime que pode render até cinco anos de prisão e multa de €75 mil (cerca de R$464 mil). A Shein, que se prepara para abrir sua primeira loja física em Paris, removeu anúncios de bonecas sexuais com aparência infantil e suspendeu toda a categoria de produtos adultos após a denúncia.

fique de olho

Os preços do háfnio, metal usado em turbinas, chips e reatores nucleares, estão chegando perto de um recorde histórico na Europa, alertou a Reuters na segunda (3).

Segundo a agência, as cotações variaram de US$ 6300 a US$ 7000 por quilo em Roterdã —apenas US$ 100 abaixo do recorde registrado em 2023.

Desde janeiro, as exportações chinesas caíram 90%, após Pequim endurecer as regras para envio de materiais considerados de uso civil e militar. A alta é impulsionada pelas novas restrições chinesas às exportações e pela demanda crescente da indústria de semicondutores e de data centers para inteligência artificial.

Por que importa: o movimento mostra como a corrida global por tecnologias de ponta começa a pressionar insumos até então de nicho, como o háfnio. A disputa por metais estratégicos deve se tornar um novo campo de tensão industrial entre China e o resto do mundo, com o país asitático inicialmente adotando restrições para retaliar os americanos mas com impacto global.


para ir a fundo

  • O Consulado Geral da China em São Paulo realiza na sexta (7) o evento “Diálogo Ecológico: China-Brasil para um planeta sustentável” para discutir a parceria dos países pela proteção do meio-ambiente a dias da abertura da COP. O encontro acontece na Reitoria da Unesp e os interessados podem se inscrever aqui.

  • A Observa China publicou um paper nesta semana em que analisa o papel do Brasil na chamada “Rota da Seda Digital”, analisando oportunidades e desafios da integração. A pesquisa foi conduzida com o apoio da Universidade de Georgetown e está disponível neste link.

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