A criatividade e a ousadia não estão apenas nos espetáculos apresentados no palco do Teatro de Contêiner, localizado na Luz, região central de São Paulo. A própria construção do espaço cênico é inovadora.
O teatro foi planejado e construído pelos artistas da Cia. Mungunzá com uma estrutura formada por dez contêineres marítimos em um terreno que pertence à Prefeitura de São Paulo.
Com plateia para 99 pessoas, o local foi o escolhido em 2025 como o melhor teatro de São Paulo com até cem lugares. Além de palco e plateia, o espaço tem bilheteria, banheiros, lanchonete, deque/palco externo, camarim, abrigo para artistas residentes e área para equipamentos técnicos.
Foi erguido a partir de um mapeamento de terrenos públicos ociosos realizado em 2016 pelos artistas da Mungunzá. O grupo havia guardado dinheiro durante nove anos para construir a sede, já com o objetivo de criar um espaço teatral e social —o teatro foi inaugurado oficialmente em 2017.
O terreno fica próximo à histórica estação da Luz, à Pinacoteca e à Sala São Paulo, equipamentos que proporcionam à região o caráter de polo cultural.
Ao mesmo tempo, era um ponto de concentração da cracolândia, hoje dispersa. A proximidade de dependentes químicos e pessoas em situação vulnerável marca a trajetória do grupo, que produziu peças com a presença dos vizinhos, como “Cena Ouro – Epide(r)mia”, dirigida por Cris Rocha, Georgette Fadel e Tânia Granussi.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) pleiteia ação para desocupação da área. Há um projeto para construção de prédio residencial no terreno, chamado de “hub de moradia social”.
Entre idas e vindas, a negociação teve momentos de tensão, como no dia em que a Guarda Civil Metropolitana tentou retirar membros do coletivo e da ONG Tem Sentimentos de um prédio anexo. Por decisão judicial, o grupo terá de deixar o terreno até dezembro, quando terminam as atividades previstas para este ano.
Em uma contradição com a ação de despejo, o espaço é mantido pela 41ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo.
Entre os projetos sociais já realizados ali está o Negras Melodias, criado durante a pandemia para valorizar artistas da música negra.
Mais de 7.000 pessoas assinaram carta pedindo ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e ao prefeito que interrompam o processo de remoção. Entre os apoiadores estão Fernanda Montenegro, Fernanda Torres e Marieta Severo.
TEATRO DE CONTÊINER MUNGUNZÁ
Rua dos Gusmões, 43, Luz, região central



