A cena teatral de São Paulo está sempre em movimento. Neste ano, grandes produções de musicais estrearam em ritmo acelerado, a cidade ganhou novas salas de espetáculos —e, ainda assim, os percalços do setor ficaram mais evidentes.
Do início do ano para cá, a Folha noticiou ao menos 400 peças, entre estreias, reestreias, espetáculos de dança e óperas.
Novos espaços se juntaram a casas já tradicionais na capital. Logo em janeiro, o Teatro BDO-Jaraguá chegou com um combo difícil de dar errado: em prédio histórico com muro de Di Cavalcanti, foi inaugurado com a atriz Maria Fernanda Cândido interpretando textos de Clarice Lispector.
Fora do eixo central da cidade, no Butantã, o Teatroiquè surgiu em um estúdio de cinema e já recebeu versões modernas de “Odisseia” e “A Máquina”.
Depois, foi a vez do Instituto Brasileiro de Teatro, espaço com 12 andares distribuídos em 7.500 metros quadrados, feito para receber ensaios, apresentações e eventos de artes performáticas.
Mais recentemente, a lista de inaugurações ganhou em setembro o Teatro Iguatemi, no décimo andar do shopping, que tem agenda de show e concertos em parceria com o Cultura Artística. O espaço já recebeu Alaíde Costa e José Miguel Wisnik.
Em outubro foi a vez do BTG Pactual Hall, antigo Teatro Alfa. O endereço estava fechado desde 2022 e passou por uma reforma, com novos equipamentos técnicos, carpetes e poltronas. A inauguração aconteceu com a nova montagem do musical “Hair”, estrelado por Rodrigo Simas.
Ainda que haja uma leva de inaugurações, há revezes em outros palcos. Teatros históricos enfrentam dificuldade em manter seus espaços. O Bibi Ferreira se prepara para fechar e reabrir em outro local após derrota na Justiça em razão de dívidas com o IPTU.
E o mesmo parece acontecer em dezembro com o Teatro de Contêiner, que recebeu ordem de despejo pleiteada pela prefeitura.
Nesse contexto, este especial ajuda a fazer um retrato do teatro paulistano. Pelo segundo ano consecutivo, a Folha apresenta um guia que mapeia as melhores salas de espetáculos da cidade e busca traduzir a cena artística em sua diversidade e efervescência.
As últimas novidades (Iguatemi e BTG), no entanto, não tiveram tempo hábil de serem avaliadas pelo júri do especial da Folha.
As 15 categorias, definidas pela equipe, contemplam todas as qualidades que uma boa sala de teatro precisa ter, como programação, conforto, localização e acústica.
Também aponta casas em destaque nas suas regiões ou áreas de atuação, do humor ao lírico. Há ainda uma nova categoria: melhor teatro até cem lugares, dando espaço para as casas menores, porém numerosas, da capital.



