2.8 C
Nova Iorque
sexta-feira, fevereiro 13, 2026
No menu items!

Buy now

spot_img
No menu items!

Mostra leva turbina 25 de toneladas ao largo da Batata – 03/11/2025 – Plástico

É difícil imaginar uma mãe de metal sólido e enormes garras que giram com a força da água em queda livre. Mas “Mãe”, obra do artista Daniel de Paula, vai se materializar na contramão dos estereótipos de maternidade em plena aridez do largo da Batata, em São Paulo, expurgo industrial do que sobrou do antes caudaloso rio Pinheiros, hoje lodo e esgoto a céu aberto na maior cidade do país.

Um dos grandes nomes da arte conceitual do momento, gênero que caiu em declínio até voltar a dar as caras no circuito do país ante uma grande avalanche de pinturas figurativas que dominou o mercado, Paula faz do novo trabalho um espetáculo de drible da burocracia, força bruta, logística de ponta e teimosia quase irritante. Não é questão de beleza, mas de poder do artista face à barbárie que nos dias correntes não arrefece, ao contrário, parece ainda mais bruta.

O rotor de aço e ferro fundido forjado em 1930 para a usina Henry Borden na cidade de Cubatão, um ponto importante do sistema elétrico paulista, que envolveu ainda a reversão do curso do rio Pinheiros e a formação da represa Billings para abastecer São Paulo, foi arrematado em leilão e será exposto como escultura numa das praças paulistanas que mais demonstra o poder alucinante da gentrificação e do avanço do capital sobre a malha urbana, no fim dos delírios de grandeza da avenida Brigadeiro Faria Lima e às margens do Pinheiros.

Não é um acaso o seu destino. Daniel de Paula fez questão que a nova obra estivesse bem à vista do público num lugar perto do Instituto Tomie Ohtake, onde a mostra “Águas Subterrâneas”, parte da temporada de exposições do Brasil na França, reúne outros artistas de peso para pensar o papel da água, rios, nascentes e canais, na formação de nossas cidades para além de espinha dorsal do meio ambiente.

Lá, a partir da semana que vem, vão estar peças de nomes como Davi de Jesus do Nascimento, Julien Creuzet, artista francês que já representou o seu país na Bienal de Veneza, na Itália, e Luana Vitra, que esteve na última Bienal de São Paulo. A mostra, organizada por Ana Roman, Irene Aristizábal e Catalina Bergues, é um desdobramento de outra exposição em torno de outro rio, o Charente, que ocupou o centro Frac Poitou-Charentes, na cidade francesa de Angoulême.

No fim da mostra, a “Mãe”, de Daniel de Paula, será derretida e reciclada, seu material em estado bruto devolvido à cadeia produtiva. Seu manifesto de “amor infraestrutural”, nas palavras do artista, remete à ideia de dar à luz uma cidade, permitir a existência urbana tendo como base a força da natureza desviada a serviço do homem.

BARROCO TECIDO Também na semana que vem, o Instituto Tomie Ohtake abre uma grande mostra individual de Sonia Gomes, artista que colaborou com o figurino da polêmica montagem da ópera “Macbeth”, obra de Giuseppe Verdi com base no clássico de William Shakespeare, no Theatro Municipal de São Paulo. Suas obras chegam à capital paulista depois de passar por Ouro Preto, em Minas Gerais, e Salvador.

DINHEIRO NA MÃO O Pivô, centro cultural de ponta com sedes no edifício Copan, em São Paulo, e num ateliê histórico em Salvador, fará no fim do mês seu leilão beneficente, com a participação de 160 artistas, entre eles nomes de peso da arte contemporânea do país, como Ana Mazzei, o coletivo Avaf, Erica Ferrari, Lenora de Barros, Letícia Ramos, Marcius Galan, Paloma Bosquê e Rodolpho Parigi. Neste ano, há ainda a oferta de obras de artistas da atual Bienal de São Paulo, entre eles Alberto Pitta, Aline Baina, Ana Raylander Mártis dos Anjos, Juliana dos Santos, Manauara Clandestina e Rebeca Carapiá.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Related Articles

Stay Connected

0FansLike
0FollowersFollow
0SubscribersSubscribe
- Advertisement -spot_img

Latest Articles