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Israel: procuradora do Exército é presa após vazar vídeo – 03/11/2025 – Mundo

Yifat Tomer-Yerushalmi, ex-procuradora-geral do Exército de Israel, foi detida no âmbito de uma investigação sobre o vazamento de um vídeo que aparenta mostrar soldados israelenses abusando de um detento palestino, informou o ministro da Segurança Nacional nesta segunda-feira (3).

Após anunciar sua renúncia na sexta-feira (31), Tomer-Yerushalmi ficou incomunicável por várias horas no domingo (2), o que alimentou especulações na imprensa sobre uma possível tentativa de suicídio.

Em sua carta de demissão, publicada na sexta-feira pela imprensa, a ex-procuradora afirmou que havia autorizado o vazamento do vídeo em agosto de 2024, o que motivou sua saída.

O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, anunciou nesta segunda-feira, em uma mensagem no Telegram, que foi determinado, à luz dos acontecimentos da noite anterior, que o Serviço Penitenciário “atue com extrema vigilância para garantir a segurança da detenta”.

A investigação sobre os abusos resultou em acusações criminais contra cinco soldados e gerou grande repercussão. Segundo a acusação, os soldados “atuaram com grande violência” e causaram “lesões graves”, incluindo costelas quebradas, um pulmão perfurado e o reto rasgado, conforme documento militar.

A tortura teria acontecido em 5 de julho de 2024, quando os cinco reservistas estavam trabalhando na prisão, localizada no deserto de Negev. De acordo com a denúncia, a violência teria ocorrido enquanto o prisioneiro estava com as mãos e os tornozelos algemados e os olhos vendados.

“A acusação denuncia os réus por agir contra o detento com extrema violência, inclusive esfaqueando suas nádegas com um objeto afiado, que penetrou perto do reto”, disse o Exército em comunicado. A nota afirmou ainda que as evidências no caso eram extensas e incluíam documentação médica e imagens de câmeras de segurança.

O caso provocou intenso debate no país quando eclodiu, no ano passado. O inquérito foi alvo de condenação por parte de políticos de direita e levou manifestantes a invadirem dois complexos militares depois que os investigadores solicitaram interrogatório dos soldados no caso. Uma semana após a invasão das bases, um vídeo de uma câmera de segurança mostrando os momentos do suposto abuso vazou para o canal de notícias israelense N12.

Na quarta-feira, o ministro da Defesa, Israel Katz, informou que uma investigação criminal sobre o vazamento está em andamento e que Tomer-Yerushalmi foi afastada compulsoriamente do cargo.

A ex-procuradora defendeu sua decisão como uma tentativa de proteger a credibilidade do departamento jurídico militar, responsável por garantir o Estado de Direito, e que, segundo ela, vinha sendo alvo de campanhas difamatórias durante a guerra.

Em sua carta, ela descreveu os presos do complexo de Sde Teiman como “terroristas da pior espécie”, mas afirmou que isso “não a exime da obrigação de investigar suspeitas de abuso”. “Para meu pesar, esse entendimento básico —de que existem atos aos quais nem mesmo os detentos mais vis devem ser submetidos— já não convence a todos”, escreveu.

O vídeo, captado por uma câmera de segurança, mostra soldados levando um prisioneiro para um canto e cercando-o com escudos e um cachorro, bloqueando a visão do que ocorre em seguida. As imagens foram obtidas na base militar transformada em campo de detenção desde o início da guerra entre Israel e Hamas.

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, publicou em julho de 2024 um relatório denunciando que, desde os ataques terroristas do 7 de Outubro, muitos palestinos foram detidos secretamente e, em alguns casos, submetidos a tortura.

Diversas organizações de direitos humanos também relataram abusos sistemáticos em centros de detenção israelenses. O Exército afirma investigar dezenas de casos, mas nega que haja uma política sistemática de maus-tratos.

Alguns políticos aproveitaram-se da renúncia de Tomer-Yerushalmi. Katz afirmou que qualquer pessoa que inventasse “calúnias de sangue contra soldados israelenses era indigna de vestir o uniforme das Forças de Defesa de Israel”.

Ben-Gvir, por sua vez, celebrou a saída da ex-procuradora e pediu uma investigação mais ampla sobre as autoridades legais. Ele também divulgou um vídeo em que aparece de pé sobre prisioneiros palestinos amarrados e deitados no chão, afirmando que eles eram autores dos ataques de 7 de outubro de 2023 e deveriam “receber a pena de morte”.

Cerca de 1.700 detidos em Gaza foram libertados este mês como parte do cessar-fogo na Faixa de Gaza. A maioria dos libertados nunca foi levada a julgamento durante a guerra.

Em troca, foram devolvidos 20 reféns israelenses, alguns dos quais relataram tortura e abusos durante o cativeiro. Três deles disseram à imprensa israelense que às vezes eram espancados por seus captores em represália a declarações de Ben-Gvir, que se orgulha de piorar as condições prisionais para os palestinos. Em resposta, Ben-Gvir afirmou que os argumentos servem aos interesses do Hamas.

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