Os Estados Unidos anunciaram, neste domingo (2), uma ajuda humanitária de US$ 3 milhões (mais de R$ 16 milhões) para os cubanos afetados pelo furacão Melissa, que devastou várias províncias do leste da ilha e já matou cerca de 60 mortes no Caribe desde o começo da semana.
“Os EUA estão coordenando com a Igreja Católica a distribuição de US$ 3 milhões em ajuda humanitária diretamente às pessoas do leste de Cuba mais afetadas pela devastação do furacão“, anunciou o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano na rede social X.
No passado, a instituição religiosa atuou com frequência como mediadora entre os dois adversários ideológicos. Além dos EUA, Venezuela, México e agências da ONU também enviaram ajuda a Cuba.
O regime cubano, que deslocou preventivamente mais de 700 mil pessoas, não reportou vítimas até o momento. No entanto, várias províncias do leste da ilha sofreram danos consideráveis, como desabamentos de casas, cortes de energia elétrica e devastação de colheitas.
Na sexta-feira (31), o governo americano, que mantém um embargo econômico contra Cuba há mais de seis décadas, já havia declarado que “apoia o corajoso povo cubano”. O Departamento de Estado, responsável pela política externa dos EUA, afirmou estar “pronto para fornecer ajuda humanitária imediata, tanto diretamente quanto por meio de parceiros locais”, sem a intermediação do regime.
A ação, porém, não foi vista com bons olhos pelo regime cubano. “Se fosse sincera a vontade desse governo de apoiar o nosso povo, teriam levantando sem condições o bloqueio criminoso e eliminado [nosso país] da lista de Estados patrocinadores do terrorismo, onde nunca deveríamos ter estado”, afirmou o membro do politburo do Partido Comunista de Cuba Roberto Morales Ojeda, para quem a oferta americana foi indigna.
No final de 2021, durante o primeiro mandato de Donald Trump, Washington voltou a incluir Cuba na lista de “patrocinadores do terrorismo”, de onde o país havia sido retirado pelo ex-presidente Barack Obama em 2015.
A ação, que levou a um endurecimento do embargo, foi suspensa pelo ex-presidente americano Joe Biden uma semana antes de o democrata deixar a Casa Branca. Ao voltar à Presidência, porém, Trump rapidamente restaurou a medida.
No sábado (1º), o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo “à mobilização de recursos maciços para enfrentar perdas e danos causados pelo furacão”, segundo seu porta-voz.
No restante do Caribe, os EUA mobilizaram equipes de ajuda humanitária em República Dominicana, Bahamas, Haiti e Jamaica.
Kingston, especialmente, sofre com prejuízos milionários. Neste domingo, um funcionário de alto escalão das ONU no Panamá afirmou à rede de televisão panamenha TVN que o custo para reparar os estragos na ilha é um fardo que afetará a economia do país caribenho por vários anos.
“Estima-se que o Melissa possa causar perdas econômicas equivalentes ao PIB anual da Jamaica”, disse Nahuel Arenas, chefe do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres para as Américas e o Caribe, com sede no Panamá.
O furacão foi o mais poderoso a atingir o solo em 90 anos e impactou a Jamaica como uma tempestade de categoria 5, a mais alta na escala Saffir-Simpson, com ventos de cerca de 300 km/h. Segundo um balanço divulgado no sábado pelo primeiro-ministro Andrew Holness, Melissa deixou ao menos 28 mortos no país.
De acordo com o Banco Mundial, o PIB da Jamaica em 2024 foi de quase US$ 20 bilhões (R$ 107,6 bilhões) para uma população de 2,8 milhões de habitantes. “Essas são perdas que pesarão muito sobre a economia de todos os jamaicanos nos próximos anos”, acrescentou Arenas.
O representante da ONU também destacou que, devido às mudanças climáticas, uma tempestade pode se transformar em um furacão de categoria 5 entre 24 e 48 horas. Desde o ano 2000, aproximadamente 90 eventos climáticos extremos ocorrem anualmente na América Latina e no Caribe, completou ele.
“As enormes desigualdades que temos na América Latina, o problema da pobreza e a urbanização desordenada sempre nos deixam expostos ou vulneráveis a desastres naturais”, afirmou. “Temos trabalhado coletivamente para reduzir a mortalidade causada por desastres, mas não o número de pessoas afetadas ou as perdas econômicas.”



