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Milícia continua massacres no Sudão após tomar Al-Fashir – 01/11/2025 – Mundo

Imagens de satélite indicam que, quase uma semana após paramilitares tomarem a cidade de Al-Fashir, no Sudão, os massacres continuam na região. Segundo relatório publicado pelo Laboratório de Pesquisa Humanitária da Universidade de Yale, nesta sexta-feira (31), a maior parte da população local pode estar morta, sequestrada ou escondida.

As Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), milícia que está em guerra com o Exército sudanês desde abril de 2023, tomaram a cidade no último domingo (26) e expulsaram as tropas regulares de seu último reduto na região oeste de Darfur, palco de um genocídio há 20 anos.

Relatos de execuções sumárias, violência sexual, ataques a trabalhadores humanitários, saques e sequestros surgiram desde a queda de Al-Fashir. As telecomunicações permanecem interrompidas.

Sobreviventes que chegaram à cidade vizinha de Tawila, localizada 70 quilômetros a oeste, disseram à agência de notícias AFP que testemunharam massacres, viram crianças sendo executadas na frente de seus pais e que civis foram espancados e roubados enquanto fugiam. Há ainda relatos de corpos abandonados nas ruas.

Entre segunda (27) e sexta-feira, o laboratório de Yale identificou pelo menos 31 locais —alguns bairros, um campus universitário e instalações militares— contendo o que parecem ser corpos humanos. “Os indícios de que os massacres continuam são claramente visíveis”, afirma o relatório.

A organização Médicos Sem Fronteiras afirmou que teme que um grande número de pessoas continue correndo risco de morte na cidade.

“O número de pessoas que chegaram a Tawila é muito baixo. Onde estão as pessoas desaparecidas, que sobreviveram a meses de fome e violência em Al-Fashir?”, questiona Michel Olivier Lacharité, chefe de operações de emergência do MSF. “Pelo que os pacientes nos dizem, a resposta mais provável e assustadora é que essas pessoas morreram ou foram detidas e perseguidas quando tentaram fugir.”

Na quinta-feira, as RSF afirmaram ter prendido combatentes acusados de atrocidades e prometeram responsabilizar “qualquer um que tenha cometido um erro”.

A ONU (Organização das Nações Unidas) afirma que cerca de 65 mil pessoas fugiram da cidade, mas dezenas de milhares permanecem presas em seu interior. Cerca de 260 mil pessoas estavam lá antes do ataque final dos paramilitares.

Em uma conferência realizada neste sábado (1º) em Bahrein, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, declarou que o Sudão enfrenta “uma situação absolutamente apocalíptica, a maior crise humanitária do mundo”.

Segundo relatos das Nações Unidas, a milícia recebeu armas e drones dos Emirados Árabes Unidos, o que Abu Dhabi negou em comunicado divulgado neste sábado, afirmando que “rejeita categoricamente qualquer acusação de apoio, de qualquer forma, a qualquer uma das partes beligerantes e condena as atrocidades perpetradas” por ambos os lados.

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