Duas pessoas, entre elas uma mulher de 38 anos, foram indiciadas, neste sábado (1º), na investigação sobre o roubo no Museu do Louvre, em Paris, elevando para quatro o total de pessoas processadas no caso.
Há duas semanas, um grupo de quatro homens invadiu o museu parisiense em plena luz do dia e, em questão de minutos, furtou joias da coroa francesa com um valor estimado em US$ 102 milhões (R$ 549 milhões, na cotação atual).
Inicialmente, as autoridades francesas anunciaram a detenção de dois suspeitos, indiciados e presos na última quarta-feira (29). Esta semana, o Ministério Público anunciou a detenção de outros cinco indivíduos, inclusive um suposto assaltante. Desses, dois foram acusados e três, liberados, informaram à AFP pessoas próximas ao caso.
Dentre os acusados está uma mãe de família de 38 anos suspeita de “cumplicidade em roubo em grupo organizado e associação ilícita com fins criminosos”. A mulher foi colocada em prisão preventiva após uma audiência à qual a agência de notícias pôde assistir parcialmente.
Moradora de La Courneuve, uma cidade nos arredores do norte de Paris, ela chorava durante a audiência e dizia ter medo por seus filhos e por si mesma. Ao anunciar sua decisão, a magistrada mencionou um “DNA de transferência”, que poderia ser resultado de uma contaminação indireta, mas justificou a prisão pelo “risco de conluio” e “perturbação da ordem pública”.
Um dos advogados da mulher, Adrien Sorrentino, destacou que ela “rejeita categoricamente as acusações que lhe são imputadas”. A outra pessoa indiciada também permaneceu presa preventivamente, segundo uma das fontes.
As três pessoas libertadas saíram sem acusações formais. “Nestes casos de crimes graves, consideramos que as ondas de detenções se parecem mais a redes de pesca”, declararam à AFP Sofia Bougrine e Noémie Gorin, advogadas de uma dessas pessoas.
Os dois primeiros detidos pelo assalto foram acusados de roubo e conspiração criminosa e detidos após “admitirem parcialmente as acusações“, declarou esta semana a promotora de Paris, Laure Beccuau. Um deles é um argelino de 34 anos residente na França, cujo DNA foi encontrado em uma das motocicletas usadas na fuga. O outro, um taxista sem licença, de 39 anos, do subúrbio de Aubervilliers, no norte de Paris.
Os ladrões acessaram o Louvre, o museu mais visitado do mundo, na manhã de 19 de outubro, usando um guindaste instalado na via pública. Eles usaram uma serra de disco para abrir as vitrines que continham as joias e fugiram em duas motocicletas pilotadas por seus cúmplices.
Por enquanto, as peças levadas, que incluem uma diadema de pérolas que pertenceu à imperatriz Eugênia e um conjunto de colar e brincos de safiras da rainha Maria Amélia, seguem desaparecidas.
Beccuau diz estar determinada, assim como a dos cem investigadores mobilizados, a recuperar o que foi roubado e prender todos os criminosos envolvidos. No entanto, na quinta, admitiu que as joias roubadas ainda não haviam sido encontradas.
Segundo ela, os investigadores estão explorando “uma série de mercados paralelos”, já que é pouco provável que apareçam no mercado legal de obras de arte. O caso provocou longos debates e comentários no exterior sobre a segurança do Louvre, o museu de arte mais visitado do mundo.



