Pelo menos 50 pessoas morreram em Gaza nas últimas horas em novos bombardeios feitos por Israel, após o país acusar o Hamas de atacar suas tropas. Segundo a Defesa Civil do território palestino, entre os mortos há 22 crianças, mulheres e idosos. Outras 200 pessoas ficaram feridas.
O porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmud Basal, afirmou à AFP que a situação é “catastrófica e aterrorizante”.
Israel começou a bombardear o território novamente nesta terça-feira (28), após acusar o Hamas de atacar seus soldados, em violação à trégua. Nesta quarta (29), o Exército israelense confirmou a morte do soldado Yona Efraim Feldbaum, de 37 anos, em combate no sul de Gaza.
O grupo negou ter atacado soldados israelenses em Rafah, no sul de Gaza, e reafirmou o compromisso com o cessar-fogo.
Apesar dos novos bombardeios, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assegurou que “nada vai ameaçar o cessar-fogo”. Em fala a jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One, a caminho da Coreia do Sul, o republicano defendeu o direito de Israel atacar Gaza se algum dos soldados israelenses for atingido.
O Hamas, que tomou o poder em Gaza em 2007, acusou Israel de “violações” ao acordo de trégua e anunciou o adiamento da entrega do cadáver de um refém, prevista inicialmente para esta terça.
Israel também acusa Hamas de violar o acordo por ter entregue restos do refém Ofir Tzarfati, cujo corpo, em parte, já havia sido recuperado pelo Exército israelense, e não de outro refém, como estava previsto.
Segundo o Fórum de Familiares de Reféns e Desaparecidos, principal associação de famílias dos sequestrados, parte dos restos de Tzarfati foram repatriados no final de 2023 e outros em março de 2024, antes de serem enterrados em Israel.
“É a terceira vez que temos que abrir o túmulo de Ofir e voltar a enterrá-lo”, lamentaram os familiares.
O Fórum solicitou ao governo de Netanyahu “agir com firmeza” frente ao Hamas por suas “violações” do acordo de trégua.
Em virtude da primeira fase do acordo de cessar-fogo, o Hamas libertou em 13 de outubro os 20 reféns vivos que mantinha em Gaza desde o ataque contra Israel em 7 de outubro de 2023.
O grupo também deveria entregar nesse mesmo dia os corpos de 28 reféns, mas até agora só devolveu 15, alegando dificuldades para localizar os restos em um território devastado pela ofensiva israelense em resposta ao ataque de 7 de outubro.
Em comunicado no Telegram, o grupo afirmou ter encontrado os corpos de dois reféns na terça, embora não tenha especificado quando os entregaria.
Segundo o ministro de Segurança Interior de Israel, Itamar Ben Gvir, o fato de que “o Hamas continue jogando e não entregue imediatamente todos os corpos” prova que “ainda está de pé”. “É o momento de quebrar suas pernas de uma vez por todas”, afirmou.
Antes do anúncio israelense, o porta-voz do Hamas, Hazem Qasem, disse à AFP que seu movimento estava “decidido a entregar os corpos assim que fossem localizados”, e acrescentou que em um território devastado por dois anos de combates, recuperá-los é “complexo”.
O ataque de 7 de outubro de 2023 em Israel causou a morte de 1.221 pessoas, em sua maioria civis, segundo balanço da AFP com base em números oficiais.
A ofensiva israelense lançada desde então em resposta causou 68.531 mortos na Faixa de Gaza, em sua maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do Hamas.



