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Eleição em Nova York: Voto antecipado revela engajamento – 29/10/2025 – Lúcia Guimarães

A votação antecipada na eleição municipal de Nova York tem registrado altos índices de participação, com mais de 300 mil votos depositados desde sábado (25) entre os 4,7 milhões de eleitores.

Será um possível sinal positivo para Zohran Mamdani, o favorito inesperado que mais polariza o Partido Democrata no momento? O candidato atraiu milhares de voluntários convocando eleitores jovens para se registrarem e votarem pela primeira vez. Mas uma análise demográfica dos que votaram cedo revela que a maioria tem mais de 55 anos.

Nova-iorquinos dificilmente concordam sobre muita coisa, mas, mesmo com o protagonismo político, econômico e midiático da maior cidade americana, esta eleição adquiriu contornos de crise existencial.

Mamdani, que acaba de completar 34 anos, é uma figura precedida por pioneirismos. Se for eleito prefeito de Nova York, será o primeiro muçulmano, o primeiro declarado socialista e o primeiro político nascido na África (Uganda) a governar a cidade natal de Donald Trump.

Rios de palavrório rotularam o candidato, atribuíram a ele um radicalismo de colcha de retalhos e, com as urnas já abertas, um dos principais jornais britânicos mostrou como a desinformação é hoje parte integral de qualquer campanha. O jornal The Times, de propriedade de Rupert Murdoch, foi obrigado a apagar um falso furo de reportagem que atribuía ao ex-prefeito Bill de Blasio duras críticas à viabilidade da agenda econômica de Mamdani, de quem é aliado.

Mas o suposto era baseado numa entrevista com um impostor. A explicação vaga do Times sobre como um correspondente veterano se deixou enganar pode ser recebida com um emoji coçando a cabeça.

A candidatura de Mamdani, um azarão desconhecido em novembro passado, não pode ser explicada apenas por seu carisma ou o ágil uso da rede social com vídeos tornados virais. Afinal, no início da campanha, o consenso era de que ele não tinha chance contra Andrew Cuomo, ex-governador do estado, ex-membro do gabinete de Bill Clinton e impiedoso atirador contra adversários.

Sim, Cuomo renunciou em desgraça em 2021, acusado por 13 mulheres de assédio sexual, e hoje exibe o carisma de um chuchu cozido em água e sal.

Mas a ascensão de Mamdani tanto incomodou a elite financeira nova-iorquina que bilionários como Bill Ackman e o ex-prefeito Michael Bloomberg despejaram estimados US$ 40 milhões em obscuros comitês de ação política para apoiar Cuomo e deter o avanço do socialista. Mamdani chegou a fazer piada, dizendo que Ackman gastou mais para tentar derrotá-lo do que pagaria em aumento de impostos municipais.

Pouco se destacou o fato de que uma lei municipal, aprovada em 1988 para combater a corrupção em financiamento político, foi importante para custear a campanha Mamdani. Sob a Lei de Financiamento de Campanha de Nova York, candidatos que aceitarem limites nas quantias recebidas de pequenos doadores recebem o mesmo total doado de um fundo de financiamento público.

O democrata foi beneficiário de quase US$ 13 milhões do fundo. A lei já foi imitada com diferentes versões em três outros estados. Mas, numa cidade onde os interesses de Wall Street e da indústria imobiliária pesam desproporcionalmente contra as prioridades da maioria dos eleitores, pode ser decisiva na vitória de uma estrela ascendente como Mamdani.


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